16 de abril de 2021
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PARAGUAI

Protestos diários no país são consequência da má gestão durante pandemia

Ministro da saúde pede demissão e "impeachment paraguaio" é missão da oposição, que pode ser votado nesta 2ª feira

Má gestão nacional durante a pandemia do novo coronavírus tem assolado o território nacional paraguaio, com isso, ondas de protestos se levantaram pelo país pedindo as renúncias do presidente, Mario Abdo Benítez - mandatário de centro-direita, aliado do presidente Jair Bolsonaro no Mercosul -, e seu vice, Hugo Velázquez. A primeira manifestação aconteceu ainda na 6ª feira (05.mar.2021) e segundo informações da Agência Folhapress, neste domingo (07.mar.2021) houve tentativa de invasão, por parte dos manifestantes, à residência presidencial, a Mburuvicha Róga, em Assunção. 

Conforme informou também a imprensa local, oito manifestantes chegaram a ser presos, segundo o jornal ABC, mas já foram soltos. Dados oficiais apontam ainda que menos de 0,1% da população paraguaia foi vacinada até o momento. Por sua condução da crise sanitária no país, Mario Abdo tem sido alvo da insatisfação populacional. Ainda na 6ª feira, seu ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, pediu demissão após outros parlamentares pedirem, na véspera, para ele deixar o cargo. 

Em conversa com o presidente, após recusar a solicitação feita pelo Senado, o então ministro da Saúde confirmou seu afastamento. "Concordamos juntos em eu sair... para proporcionar a paz de que precisamos para enfrentar esse desafio", comentou Mazzoleni.

Com o aumento de casos do novo coronavírus levando os hospitais do país para, cada vez mais, perto do colapso. Tendo deixado a vaga no ministério da Saúde, o vice-ministro, Julio Borba, foi nomeado por Abdo. O presidente indicou ainda, durante seu pronunciamento oficial, transmitido pela televisão, a troca do ministro da Educação, Eduardo Petta, do Ministério da Mulher, Nilda Romero, e do chefe de gabinete do governo, Ernesto Villamayor. A estratégia utilizada pelo presidente, é um caminho para tentar evitar o julgamento político paraguaio, ato semelhante ao "impeachment" do Brasil, segundo apontam especialistas, que pode acontecer de modo muito mais rápido quando há maioria evidente.

CENÁRIO POLÍTICO PARAGUAIO 

Mario Abdo Benítez integra o partido Colorado. Analistas expõe que "o Colorado" encontra-se "rachado" entre um grupo menor que se mostra leal ao presidente, e outro que representa a chamada Honor Colorado, mesma força que levou Abdo Benítez à presidência, em 2018, mesmo após seu escândalo relacionado à empresa Itaipu  

Por enquanto, seu partido, o Colorado, está rachado entre um grupo menor, leal ao presidente, e um grupo mais numeroso de parlamentares da corrente Honor Colorado, aliada ao ex-presidente Horacio Cartes. Foi a Honor Colorado que apoiou Abdo Benítez em 2018 e garantiu que ele não caísse após um escândalo - onde foi acusado de "traição à pátria" relacionado à empresa Itaipu.

Agora, ele [Abdo] espera repetir a façanha e conta mais uma vez com esse apoio, o que não impede que outros partidos tomem a frente, pedindo que seja debatido o julgamento político ainda nesta 2º feira (08.mar.2021). Eles precisam ir embora. Estamos reunidos para investigar o que vem acontecendo. Pagamos por vacinas que nunca chegaram", disse Efraín Alegre, do partido liberal.

Carlos Fillizola, da esquerdista Frente Guazú, afirmou que é preciso garantir que os manifestantes "se expressem livremente" e pediu que a população continue se mobilizando "para pressionar pela saída" do presidente e do vice.

CORONAVÍRUS PARAGUAI

Em um primeiro momento, na 1º fase da COVID19 no país, o Paraguai manteve baixos os níveis de contaminação, aplicando quarentena severas. A chegada de novas variantes, inclusive a brasileira, é o que tem causado as infecções e, consequentemente, pressionado o sistema de saúde. Até a última atualização o território paraguaio havia registrado mais de 3.290 mortes. 

Diante dos pedidos por um julgamento político, o já citado ex-presidente Horacio Cartes e o Honor Colorado, podem mudar de ideia se levarem em conta as manifestações de rua mais violentas. Sábado (01'6.mar.2021) foi o dia mais tranquilo nesse período, enquanto na 6ª feira (05.mar) o país registrou 21 feridos durante protestos e um morto. Segundo informado pela polícia local, o manifestante morto, de 32 anos, tinha sido atingido por uma arma branca e que poderia ter sido vítima de assalto. Mas o jornal Última Hora apurou um boletim médico que relata feridas de balas de borracha no tórax do homem.

Abdo Benítez disse, em sua mensagem gravada, escutar as manifestações pacíficas, mas se posicionou contra os mais violentos.