21 de outubro de 2021
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VACINAÇÃO

Queiroga mente e Anvisa mantém orientação de uso da Pfizer em adolescentes

Para "respaldar" decisão de Bolsonaro, ministro da Saúde disse em live que Unicef e OMS não recomendam vacina para menores de 18 anos

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Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve orientação de uso da Pfizer em adolescentes sem comorbidades. Mais recente o Ministério da Saúde divulgou nota em que retira esses jovens do público-alvo da vacinação.

Diante da posição do ministro Marcelo Queiroga, os Conselhos Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacionais de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) pediram posição da Anvisa, que já tinha autorizado uso do imunizante da Pfizer para todos os brasileiros a partir dos 12 anos.

Hoje (17.set.2021), a Secom compartilhou o trecho da transmissão do presidente em que Marcelo Queiroga, para respaldar a decisão de Bolsonaro de suspender vacinação de público mais novo, diz que o Ministério da Saúde "em convergência com a UNICEF e OMS" não recomenda a vacina em crianças e adolescentes sem comorbidades. 

Sendo que, há sete meses, a própria Unicef compartilhava em suas redes sociais um material didático, da Turma da Mônica, para tratar da saúde das crianças. 

Tanto Ministério da Saúde quanto Secom usam um fala em vídeo da cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, datado de três meses atrás (junho de 2021), em que ela aponta que - na data em questão - era melhor priorizar idosos e a linha de frente de profissionais médicos, que atuam contra a Covid-19. 

Ela ressalta que as crianças podem ser infectadas com a Covid-19 e transmitir a infecção, mas correm um risco muito menor de contrair uma doença grave. 

Soumya destaca que esse cenário de "prioridades" se dá quando há limitações no fornecimento das vacinas no país e é praticado para reduzir as taxas de morte. Nesse caso é recomendado adotar a estratégia de proteger os profissionais da saúde, idosos e pessoas com comorbidades primeiro.

Ela finaliza que, depois de vacinados esse grupo a tendência é descer gradualmente as idades até chegar nas crianças, confira: 

Jair Bolsonaro mente.
Marcelo Queiroga mente.
Secom do governo federal mente.

Em 11/06/21 a OMS explicou que os adolescentes não devem ser uma PRIORIDADE na vacinação antes que os adultos estejam vacinados, mas não deixou de recomendar a vacina.pic.twitter.com/UQU5jtK0Dp

Na 4ª feira (15.set.2021), horas antes de mudar a posição sobre a vacinação de adolescentes, Marcelo Queiroga ainda disse que havia "excesso de vacina" no país. 

"Há excesso de vacina, na realidade, o Brasil já distribuiu 260 milhões de doses, 210 milhões já aplicadas", disse o ministro na quarta-feira (15), sem explicar por que há unidades da Federação sem doses disponíveis para seguir o calendário vacinal.

Declaração essa, dada durante um evento de entrega de novo lote de vacinas da Pfizer que foram enviadas aos estados. Questionado sobre os problemas enfrentados em algumas regiões do país, ele negou que haja problema de entrega da AstraZeneca, de acordo com a Agência Folhapress. 

Segundo informações da Rede Brasil Atual, durante entrevista coletiva para tratar a suspensão da vacina em adolescentes, de acordo com o próprio ministério, mais de 3,5 milhões de jovens iniciaram a imunização. Foram relatados 1.500 efeitos adversos

Queiroga deixou escapar que 93% destes não são relativos a problemas na saúde dos jovens. A pasta alega que estes eventos são de adolescentes que tomaram vacinas que não a Pfizer, única autorizada pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), informação que também não foi esclarecida com mais detalhes.

Ele ainda criticou que alguns governadores “estão vacinando rápido demais” e que “o presidente me cobra sempre essa questão das vacinas de adolescentes. Hoje ele me ligou e disse ‘olha aí'”, que seria referente à uma morte de adolescente, que o próprio ministério não sabe se a morte tem relação com a imunização. O caso está sendo investigado.