27 de outubro de 2020
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TRAGÉDIA AMBIENTAL

Vídeo: Piúva que abrigava Ninho do Tuiuiú é destruída pelo fogo no Pantanal

"O mundo vai queimar cara, é bíblico. Eu já estou começando a acreditar", disse candidato a vereador que registrou o cenário

A piúva que sustentava o ninho do Tuiuiú na BR 262, tombada por decreto municipal de Corumbá como patrimônio imaterial em 2011 sucumbiu ao fogo que consome a vegetação onde a árvore estava localizada.  O fogo destruiu completamente ninho e foi registrado por um leitor, que indignado comentou. “O mundo vai queimar cara, é bíblico. Eu já estou começando a acreditar”, disse o artista e candidato a vereador em Campo Grande, Espedito Montebranco (REDE). 

Fazendo o trajeto de Corumbá à Campo Grande, Espedito registrou a agonia da vegetação, a fumaceira na estrada e lamentou muito todo o cenário, dizendo estar indignado. "O fogo está indo em direção ao Passo do Lontra, o fogo está voltando em direção a Corumbá. Muitos animais mortos, os bichos em desespero", descreveu. 

Espedito lembrou de como era o Pantanal antes das chamas. Segundo ele, quem teve o prazer de conhecer o Pantanal antes de 2020, pôde conhecer a verdadeira beleza do bioma que está sendo devastado pelas chamas. "Esse fogo vai chegar na Capital, vai atingir Aquidauana, Miranda", alertou Espedito. 

O Ninho do Tuiuiú é considerado o símbolo do Pantanal e estava há centenas de anos equilibrado na copa da árvore.

Ninho antes de ser atingido pelo fogo que destrói o Pantanal. Foto: reprodução/web

O tombamento da piúva ocorreu no início de 2011, quando uma empreiteira que realizava operação tapa buraco na rodovia tentou cortar a espécie, e foi impedida por fazendeiros da região, que logo fizeram a denúncia. O autor do texto publicado no blog Entrelinhas do Capital do Pantanal o médico pneumologista, escritor e pecuarista (na época) Fernando Silvio Martins de Almeida e gerou repercussão, fazendo com que as autoridades adotassem o tombamento da espécie a fim de preservar a ave e seus filhotes.

Este ano, o casal se reproduziu e a ninhada de cinco filhotes virou notícia na TV Morena, afiliada da rede Globo de televisão em MS.

Se você não conheceu, veja como era o Ninho do Tuiuiú em MS:

Hoje os pássaros já não estão no local. O galhos da árvore foram consumidos pelas chamas. E da vegetação ao redor da árvore que antes era abundante, imponente e verde restou apenas cinzas. 

NÚMEROS DO FOGO 

Os MS Notícias reportou na noite de ontem, levantamento do Wetlands International Brasil, que desenvolve no Pantanal ações direcionadas para a conservação do ecossistema, que mostra que de 1º de janeiro até 23 de setembro de 2020 Corumbá registrou 5083 focos de incêndio. A Wetlands International é uma organização global, não governamental, sem fins lucrativos, que tem por objetivo conservar e restaurar as áreas úmidas para a natureza e as pessoas.

A Bacia do Alto Paraguai, que abriga o Pantanal, maior área úmida tropical do mundo, vem enfrentando um dos períodos mais secos desde o início dos registros. Diminuição dos níveis de precipitação, longas estiagens e consequente baixa nos níveis dos principais rios ameaçam a existência do bioma mais conservado do Brasil.

O rio Paraguai, principal leito hídrico do bioma pantaneiro, vem apresentando sucessivas quedas em seu nível da calha principal, apontando para uma vazante fora de época na porção sul do Pantanal, com diferença de mais de 2,5 m entre os níveis de 2019 e 2020.

Segundo dados dos Boletins de Monitoramento da Bacia do Alto Paraguai, expedidos pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), “em todas as estações de Monitoramento Fluviométrico, os níveis registrados encontram-se abaixo dos níveis normais para este período do ano. Não foram registradas chuvas significativas e, mesmo as chuvas previstas na parcela sul da bacia não terão impacto significativo nos níveis do Rio Paraguai”. Tais dados indicam a seca mais severa em 22 anos, culminando no fato de que quatro das 12 estações de monitoramento atingiram, no mês de agosto, níveis mínimos históricos, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Ainda segundo os boletins, “dados da estação Porto Murtinho sugerem que, na média, a bacia do rio Paraguai apresentou chuvas abaixo dos níveis em quatro dos últimos seis anos na bacia e uma tendência de redução de chuvas nos últimos anos. Considerando a chuva média de longo termo estimada pelo INPE, de cerca de 1.290 mm para a parcela brasileira da bacia do rio Paraguai, o déficit de chuva com relação à média vem se acumulando há alguns anos, o que pode explicar a condição atual da bacia, de níveis bastante abaixo dos médios”.

Fonte:*Com informações do Wetlands International Brasil.