28 de setembro de 2021
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ESCÂNDALO | BELO HORIZONTE (MG)

Vídeos mostram 'burgueses' sendo vacinados clandestinamente em garagem

Flagrante feito por vizinhos no pátio da viação Saritur, na Capital de Minas Gerais

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Vídeos revelam pessoas sendo vacinadas clandestinamente na noite de terça-feira (23.mar), na garagem de empresa de transporte localizada em Belo Horizonte (MG). Os vídeos são do Estadão.  

As imagens foram gravadas por vizinhos do local, que denunciaram um esquema clandestino de imunização contra a covid-19 pela viação Saritur.

A garagem fica no fim da rua Cláudio Martins, no bairro Alto Caiçaras, na capital mineira. Uma mulher de jaleco branco vai até o porta-malas de um carro, retira a vacina, e aplica nos motoristas. Alguns descem do carro para receber sua dose. Outros são vacinados dentro do próprio carro. Outra pessoa anota nomes em uma ficha, como se estivessem confirmando cada vacinação dada.

VEJA O VÍDEO 

A Polícia Militar de Minas confirmou que esteve na terça no endereço da empresa após denúncia anônima. Segundo a corporação, seguranças do local disseram que houve “pequena reunião dos diretores”, mas que todos já haviam ido embora. Conforme a PM, uma pessoa, então, “acenou e em voz baixa” se identificou como a denunciante. Ela relatou aos policiais que filmou a vacinação e viu cerca de 25 carros no local. Disse que uma mulher de jaleco branco aplicou as doses também em crianças. A PM disse que acionou a vigilância sanitária e outros órgãos de fiscalização, mas que “nada foi constatado pelas equipes” após entrar na empresa.

Nesta quarta-feira, 24, a revista piauí mostrou que políticos e empresários de Minas Gerais teriam tomado a primeira das duas doses da vacina da Pfizer contra a covid-19, e que eles compraram o imunizante por iniciativa própria, driblando o SUS (Sistema Único de Saúde), o que é ilegal.

"Se a aquisição das vacinas se deu antes da data da aprovação da vacina da Pfizer pela Anvisa, pode ter ocorrido o crime do artigo 273, parágrafo 1º-B, I, do Código Penal. Se foi feita depois, pode ser o crime de descaminho (art. 334-A). Neste caso, todos os que foram vacinados podem responder pelo crime de receptação", aponta o MPF, que instarou procedimento criminal nesta quinta-feira, 25.

A procuradoria informou ainda que vai apurar também se a aquisição das vacinas ocorreu depois da aprovação da legislação pelo Congresso Nacional que obriga que vacinas adquiridas no exterior sejam entregues ao SUS. Segundo a revista, a segunda dose estaria prevista para ser aplicada nas cerca de 50 pessoas, daqui a 30 dias. O custo das duas doses seria de R$ 600 por pessoa. O ex-senador Clésio Andrade, que também é ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), foi um dos vacinados, segundo a piauí. “Estou com 69 anos, minha vacinação (pelo SUS) seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim”, disse ele à piauí.

FONTE: *ESTADÃO.