15 de junho de 2021
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Câmara dá autorização para Olarte agir sem transparência

A reprovação de um simples requerimento bastou para que a Câmara renunciasse ao seu direito de fiscalizar os atos do executivo.

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Depois de toda a polêmica acerca da viagem a Brasília, feita pelo prefeito Gilmar Olarte, acompanhado da primeira-dama Andréia, em viagem particular de executivo que tem negócios com a Prefeitura de Campo Grande, e da recusa da Câmara em aceitar Requerimento propondo uma Comissão Parlamentar de Inquérito para averiguar o fato, hoje (31) durante a sessão, os vereadores da base impediram a aprovação de um Requerimento para que Olarte, ao menos, desse explicações para o fato.

O Requerimento assinado por Alex do PT, Thais Helena e Ayrton de Araújo (P), Luiza Ribeiro (PPS), Paulo Pedra (PDT), Cazuza (PP) e José Chadid (sem partido), deveria ir para votação simples, mas o vereador Edil Albuquerque, líder do prefeito, pediu que a votação fosse nominal, permitindo que os vereadores articulassem um boicote e rompessem o acordo feito anteriormente, de que o requerimento pela CPI seria substituído por um requerimento de solicitação de informações que todos aprovassem.

O caso e as posições dos vereadores

Gilmar Olarte viajou a Brasília no dia 11 deste mês a bordo de jatinho do empresário João Baird, que mantém contrato milionário com a Prefeitura, além de responder a ação por suposto desvio na casa dos R$ 50 milhões no Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Durante os dias que se seguiram a denúncia, o prefeito evitou a imprensa, chegando a utilizar de seguranças para chegar e sair de eventos.

Como se fosse um pequeno deslize, Airton Saraiva (DEM) disse que era “apenas” uma carona sem maiores consequências; Carlão (PSB) e Alceu Bueno (PSL), em defesa do prefeito, disseram que “têm coisas mais interessantes para discutir” e solicitaram um requerimento de informações em relação ao uso do jatinho, contra a qual votaram hoje.

O líder do prefeito, Edil Albuquerque, questionou se haveria mal ou se isso representasse algum prejuízo, uma vez que ele economizou com passagens de ida, mas retornou em avião comercial, sem explicar os motivos que o fizeram levar a primeira-dama às custas dos cofres públicos. João Rocha (PSDB) e Paulo Siufi, à época disseram que tudo era apenas por sensacionalismo.

Thais Helena chegou a lembrar o fato recente envolvendo o deputado federal André Vargas que foi cassado por, entre outras coisas, ter voado em avião emprestado pelo doleiro Alberto Youssef.

O caso, hoje

Com o pedido de votação nominal feito por Edil, Alex defendeu o requerimento dizendo que a viagem era do conhecimento público e que atendeu ao pedido dos aliados do prefeito, para que o requerimento não pedisse uma CPI, nas apenas uma explicação. “A pedido da base foi alterado (...) e agora vocês querem impedir até mesmo as explicações? (...) Se abrirmos mão até disso, afinal o que podem os vereadores?”, questionou Alex.

Votaram contra o requerimento os vereadores Edil Albuquerque, Vanderlei Cabeludo, Dr. Loester, Magali Picarelli (PMDB), Flávio César e Otávio Trad (PTdoB), Chocolate (PP), Airton Saraiva (DEM), Francisco Saci (PRTB), Carlão (PSB), Alceu Bueno (PSL) e Herculano Borges (SD). Foram favoráveis ao pedido de explicações pelo prefeito, os vereadores Chiquinho Telles (PSD), Alex do PT, Ayrton Araújo, Thais Helena (PT), Cazuza (PP), Paulo Pedra (PDT), Luiza Ribeiro (PPS) e José Chadid (sem partido). Eduardo Romero se ausentou.