16 de abril de 2021
Campo Grande 32º 20º

Não tem vaga

Com o deslocamento das famílias crianças deixaram de ir para escola

Durante sessão ordinária na Câmara Municipal nesta terça-feira (19) a Defensora Pública Olga Lemos Cardoso de Marco, fez uso da palavra para alertar sobre a ausência de crianças na escola depois do deslocamentos das famílias que moravam na antiga favela Cidade de Deus.

A intenção da defensora é colocar os parlamentares a par da situação em que se encontram as famílias e principalmente as crianças, que antes tinham suas vagas garantias nas escolas e Centros de Educação Infantis (Ceinfs), mas que agora não estão nem frequentando porque diversas crianças ficaram sem vagas por conta da remoção de quase 400 famílias que residiam na favela.

“Essas 400 famílias foram desalojadas e levadas para quatro bairros afastados. Foi dado a eles um kit com saco plástico, lona e um copo com aproximadamente 12 pregos. Parecia que estava tudo planejado, organizado e seguro. Os moradores foram separados por cores, parecia a Lista de Schindler, as cores definiram para qual bairro seriam levados. Foram 40 para o Vespasiano Martins, 80 para Pedro Teruel, 110 para Vila Nasser e outros tantos para o Jardim Canguru, são bairros que não tem infraestrutura nenhuma. Antes na favela eles tinham uma igreja que fazia um trabalho social, com aulas de pintura, brincadeiras, além de educação religiosa para ocupar o tempo ocioso dessas crianças, no período em que não estavam na escola”, afirmou Olga.

Ainda de acordo com Olga, está sendo feito um remanejamento para atender todas essas famílias. “Esse problema desencadeou um mutirão da Defensoria por conta da falta de vagas, porque essa mudança causou um remanejamento. Ao todo entramos com 80 ações todo mês para pessoas carentes que nos procuram. Quero colocar a Defensoria à disposição da Câmara. Temos um Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca), e peço que se vocês tiverem conhecimento de alguma criança fora da escola, que encaminhe para nós. Nós faremos esse atendimento a essas famílias com problemas relacionados à falta de vagas em Ceinfs e escolas. Temos como fazer mutirão, mas precisamos da demanda. Quero aqui colocar a nossa instituição à disposição”, disse a defensora na Tribuna.

Os vereadores da Casa questionaram que situações como ‘favela em Campo Grande’ não existia mais e que na administração do Atual prefeito Alcides Bernal houve um retrocesso. O vereador Carlão (PSB) disse que as favelas não existiam mais. “A prefeitura retroagiu, essa era de favelas, já tinha acabado, agora infelizmente o Bernal trouxe de volta”.

Eduardo Romero (Rede sustentabilidade) se lamentou dizendo que por um período era satisfação em dizer que não se tinha favelas em Campo Grande, mesmo sabendo das dificuldades que algumas pessoas viviam. “Pena quando a gente tem oportunidade de fazer algo para melhorar e não faz. Por um período tivemos orgulho em dizer que não tínhamos favela, a política de habitação está frágil e não atende a demanda, infelizmente”.

O discurso da maioria dos vereadores foi baseado em falta de planejamento e estrutura para preservar os direitos pessoais das pessoas. “Teria que ter um planejamento, não migrar as pessoas, isso é como tapar o sol com peneira, é fazer politicagem. É uma irresponsabilidade desse prefeito que está aí”. Concluiu Ayrton Araújo (PT).