12 de junho de 2021
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"A Santa Casa fecha o ano no vermelho", afirma Teslenco

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O presidente da ABGC (Associação Beneficente de Campo Grande), Wilson Teslenco afirmou na tarde de hoje, que desde o mês de setembro vem buscando diálogos com a prefeitura da Capital sobre uma crise financeira, mas a prefeitura alega que não tem dinheiro para incrementar as necessidades do hospital.

De acordo com Wilson, o hospital possui hoje 2.600 funcionários contratados na modalidade CLT, sendo 221 médicos. “Esse diálogo vem acontecendo desde setembro, outubro e a prefeitura alega que não tem dinheiro para incrementar as necessidades do hospital. Devido a isso, a prefeitura está buscando conversar com a União, com o Estado, tentando parcerias para aumentar o recurso repassado para o município. O governo do Estado vinha sinalizando, mas silenciou. A União fez compromisso de fazer incremento no orçamento do hospital, mas até agora nada”, explica o presidente.

Sem recursos para pagar todos os funcionários e prestadores de serviço e para não descumprir acordo judicial de não atrasar salário dos funcionários com carteira assinada, a diretoria da ABCG irá pagar apenas 60% do valor devido a autônomos e terceirizados. A medida foi a única alternativa encontrada pra cumprir o acordo feito com Ministério do Trabalho no último dia 30 de novembro quando houve uma reunião, requerida pelo Sindicato dos Médicos e diretoria Clínica da Santa Casa, na qual, por orientação do Promotor de Justiça, foi deliberado que todos os funcionários contratados na modalidade CLT recebessem seus respectivos salários integralmente.

Teslenco destaca que a situação do hospital se agrava a cada dia, em especial devido à falta de contratos assegurados junto ao município de Campo Grande, responsável pela saúde pública. Questionado sobre a possibilidade da prefeitura não assinar o contrato, o presidente diz que tudo começará a ficar ilegal.

“A manutenção de repasse para o município por falta de um instrumento legal, que é o contrato, começa a colocar tudo em ilegalidade. Acredito que isso não aconteça, em tempos o contrato será assinado. O repasse para o custeio mensal do hospital é de R$ 15.100 milhões. Quando aconteceu a primeira crise em setembro, diminuímos os funcionários autônomos em 50%  e hoje temos 344 funcionários autônomos, para conseguir pagar as despesas, em outubro diminuímos 30% de todos os colaboradores que tinham salário acima de R$ 5 mil para pagar. O Estado contribui com R$ 750 mil por mês e município também. Esse recurso paga parcela do empréstimo, a folha gira em torno de R$ 8 milhões, sem contar com funcionários autônomos e empresas terceirizadas”, afirma Teslenco.

Entre sexta-feira e segunda-feira, o presidente da ABCG pretende se reunir com o prefeito e com o governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB). Sobre o pagamento do 13º, Teslenco acredita que o hospital conseguirá pagar os R$ 8 milhões de 13°.

“Estamos indo atrás de empréstimos, mas acredito que vamos conseguir pagar esses R$ 8 milhões. O hospital fecha o ano no vermelho, são R$ 15 milhões no vermelho. Isso se pagar os 5,4% que estamos aguardando, se não pagar, fechamos em R$ 20 milhões no vermelho”, ressalta o presidente.

Cerca de 90% dos atendimentos realizados na Santa Casa são pelo SUS e 10% são de convênios. Os recursos que os convênios trazem, são utilizados no hospital para reformas e compra de equipamentos.

“Não podemos manter o hospital gerando por mês R$ 4 milhões de dívida, com toda certeza, temos que ter uma solução para isso. Mas estou otimista com a assinatura do contrato. No momento de crise que o município está vivendo, tem que selecionar as prioridades. Se você deixar de fazer uma obra pode não gerar prejuízos na frente, agora se deixar de atender pessoas, elas podem vir a óbito”, finaliza Wilson.

 Dany Nascimento