29 de setembro de 2020
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OURO DE OFIR

Acusado de dar golpe, Picarelli é condenado a pagar dívida de R$ 1,962 milhão

O diretor da TV Assembleia vem passando por dificuldades financeiras e o bloqueio dos bens não deverá ser suficiente para quitar os R$ 2,2 milhões da dívida com Celso Éder

A Justiça condenou o ex-deputado estadual e atual diretor de TV Assembleia, Maurício Picarelli, a pagar a dívida de R$ 1,962 milhão com o empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, preso na Operação Ouro de Ofir. Além disso, o deverá pagar multa de 10% sobre o valor da causa, conforme sentença da juíza Mariel Cavalin dos Santos, da 16ª Vara Cível de Campo Grande.

A magistrada descartou a tese apresentada pelo tucano, de que foi vítima de agiotagem. Picarelli alegou que teria assinado os cheques de R$ 1,373 milhão sob coação. No entanto, o advogado apresentou a nova tese fora do prazo. De acordo com o despacho, o ex-deputado deveria apresentar a defesa até o dia 8 de novembro de 2018, mas só protocolou a sua versão no dia 15 de abril deste ano.

“Dessa forma, como não apontou qual seria a justa causa que a fez opor os embargos monitórios fora do prazo, muito embora tenha lhe sido concedida a oportunidade para se justificar, só cabe neste momento ratificar a validade da decisão proferida e julgar prejudicado o conhecimento de seu instrumento de defesa e consequentemente de suas teses”, concluiu a juíza.

Sobre a nova versão da defesa, de que Celso Éder teria coagido o deputado a assinar os cheques, a magistrada destaca que essa denúncia não pode ser apresentada durante a execução da dívida.

No entanto, a primeira versão de Picarelli para a dívida milionária com o empresário, que foi acusado pela Polícia Federal de dar golpe em 60 mil pessoas no Brasil, foi outra no ano passado. Em nota à imprensa, o tucano disse que foi uma das vítimas do golpe.

Na época, o ex-deputado disse que pretendia vender a casa, onde mora, para arrecadar R$ 1,4 milhão e investir na Operação AU Metal, um dos golpes aplicados por Celso Éder, principalmente, em evangélicos. Em troca do investimento, “abençoado por Deus”, a vítima teria rendimento de até 1.000%.

O diretor da TV Assembleia vem passando por dificuldades financeiras e o bloqueio dos bens não deverá ser suficiente para quitar os R$ 2,2 milhões da dívida com Celso Éder. A magistrada pediu para que o empresário se manifeste como pretende dar sequência à execução da sentença.

O tucano não é o único político em apuros com a Justiça. O senador Nelsinho Trad (PSD) teve até o nome inscrito no SPC e Serasa porque não pagou uma dívida de R$ 2,8 milhões com a VCA Produções. A empresa cobra o pagamento de nota promissória de R$ 1,2 milhão em decorrência da campanha a governador pelo MDB em 2014.

Nesta semana, o juiz Wilson Leite Corrêa determinou o levantamento de R$ 13 mil bloqueados para pagar a dívida milionária com a produtora. Além disso, ele analisa pedido da empresa para destinar 30% do salário de senador da República para garantir o pagamento do débito, já que Nelsinho está com os bens bloqueados em outras ações por improbidade administrativa e suspeita de corrupção.