27 de novembro de 2020
Campo Grande 35º 23º

PARAR INVESTIGAÇÃO

Bolsonaro exonera diretor da PF e blinda Centrão e Carlos Bolsonaro

Moro deve se pronunciar as 11h de hoje (24.abril)

O presidente Jair Bolsonaro (sem-partido), finalmente conseguiu a tão desejada exoneração do braço direito do ministro da Justiça Sérgio Moro, o diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. No entanto, Moro avisou: “Não vai ser bom para nós”, e resistiu, mas o chefe não o escutou e no Diário Oficial de hoje, 6ªfeira (24.abril), foi publicada a demissão de Valeixo, por motivos desconhecidos.

Acontece que Moro teme que Bolsonaro queira ter poder sobre a principal polícia investigativa do país, para frear investigações que já alcançam nomes de seus filhos e até mesmo investigações sobre a suposta ligação da família com milicianos do Rio de Janeiro. Bem como, para blindar os agora aliados do Centrão, que não tem boa relação com a PF.  Moro ameaçou sair do jogo, Bolsonaro colocou seus generais para convencê-lo de ficar, ele disse que fica, - se tiver autonomia para escolher o substituto de Valeixo. Moro deve se pronunciar as 11h de hoje. 

Não à toa que o presidente Jair Bolsonaro está tão irritado com o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. A equipe que investiga as Fake News contra o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou ao ‘Gabinete do Ódio’, comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o 02.

Policiais que trabalham na operação garantem que o filho do presidente é o mentor de todos os ataques que foram disparados contra o Supremo e contra o Congresso. Há um processo aberto pelo STF para investigar esse movimento de notícias falsas.

Não é só. O Centrão, com o qual Bolsonaro busca costurar um acordo, também desejava a saída de Valeixo. Ele buscava casos de corrupção dentro da ala, a qual Bolsonaro negocia cargos. O deputado federal da direita Luiz Lima (PSL-RJ) afirmou na em 10/05/2019, que o Centrão já atuava em favor de Bolsonaro. Lima disse á época ter se sentido chantageado por deputados do chamado centrão durante a discussão sobre o destino do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). Segundo ele, esses parlamentares tem dito ao governo que apoiarão a reforma da Previdência se o órgão de controle sair da alçada do Ministério da Justiça, comandado por Sergio Moro.

A manobra de Bolsonaro pode lhe custar o ministro da Justiça, para proteger o filho e também sua campanha de “bom moço”, além de abarcar os interesses do Centrão, os que supostamente o protegeria de um processo de impeachment. Acontece que as mesma estratégia foi usada por Dilma Russef (PT), e isso não impediu que ela fosse desposta.  

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, acolheu o pedido de inquérito para investigar quem organizou e financiou as manifestações pró-golpe de Estado no domingo (19). Sabe-se que trata-se de uma manifestação financiada, que cartazes e frases de efeito foram feitos em lotes, pois tinham formatos idênticos. De acordo com Gerson Camarotti, o círculo do presidente teme que a PF chegue próxima do Planalto.

O jornalista Vicente Nunes, disse que os investigadores estão perto de demonstrar o elo entre notícias falsas, seus patrocinadores, e o ‘Gabinete do Ódio’ comandado por Carlos Bolsonaro.

Em paralelo, entra em conflito entre os generais palacianos e o ministro da Economia, Paulo Guedes. O Plano Pró-Brasil, de obras públicas pelo país para disparar a economia, é descrito na área econômica como ‘Dilma 3’.

REPERCUSSÃO

Bruno Boghossian: “Jair Bolsonaro nunca foi um defensor fervoroso do combate à corrupção. Jamais empunhou a bandeira do liberalismo econômico e tampouco conseguiu sustentar a retórica da nova política. Depois de fingir ser o que não é por mais de um ano, ele parece ansioso para inaugurar seu verdadeiro governo. O presidente sugere estar disposto a trocar o lustro dos superministros e o apoio do eleitorado lavajatista por uma atitude autossuficiente. Sobraria apenas um político de carreira, defensor da intervenção estatal na economia e afeito a manobras para blindar seus aliados. Bolsonaro testou os limites do próprio poder ao nadar contra a corrente na crise do coronavírus e apostar na demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. Agora, ele contraria Moro, Guedes e uma fatia de sua base eleitoral para fazer suas vontades em outras áreas. O presidente pode ter disfarçado mal, mas manteve o personagem por algum tempo. Agora, o Bolsonaro original de fábrica quer tomar posse.”.

O jornalista Pedro Doria, do Canal Meio, postou um vídeo ontem (23.abril), quando Bolsonaro ainda não havia decidido pela demissão de Valeixo, até tinha recuado, após Moro ameaçar sair. No vídeo abaixo Pedro explica a crise que pode terminar com a saída de Sérgio Moro, assista: