23 de abril de 2021
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CPI

CPI das Vacinas pode virar novo pesadelo para Bernal

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Enquanto não sai o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para apurar o sumiço de três mil doses de vacinas que deveriam ser utilizadas na imunização contra a Gripe H1N1 em Campo Grande, a população estará alimentando, e com razão, as dúvidas sobre a isenção do prefeito Alcides Bernal (PP) no caso. Ele foi acusado até de levar assessores e aliados políticos para ser vacinados em seu gabinete, enquanto os usuários do SUS se queixam da falta de doses nas unidades de saúde.  A doença já matou 10 pessoas em Campo Grande e há risco de um surto se a deficiência em cobertura vacinal não for suprida.

Não será surpreendente se os efeitos da CPI alcançarem uma repercussão semelhante à que foi produzida em 2014, quando a Câmara de Vereadores afastou Bernal e o deixou 17 meses no sereno até ser reconduzido por liminar da Justiça. Além da chamada “vacinação amiga” no gabinete – confirmada pela própria Secretaria Municipal de Saúde -, surgiu ainda a denúncia de que doses de vacina podiam estar sendo vendidas clandestinamente.

O delegado do 1º Distrito Policial, Fabiano Nagata, deve começar esta semana a ouvir as mais de 30 pessoas vacinadas na Prefeitura, entre as quais vários assessores do prefeito e dois vereadores aliados. Todos foram identificados e receberam a notificação para prestar esclarecimentos à Polícia. Também serão ouvidos pela CPI, que é presidida pelo vereador Marcos Alex (PT), ex-líder de Bernal no Legislativo.

A denúncia que motivou a intervenção policial e a criação da CPI foi formulada por Carlos Roberto Pereira, que se intitula jornalista. Ele entregou à Polícia uma lista com 35 nomes das pessoas imunizadas dia 18 de maio no gabinete do prefeito. Pereira era ferrenho aliado de Bernal, mas agora é um de seus mais implacáveis opositores. Ele resolveu denunciar a Prefeitura por peculato depois de fracassar na tentativa de conseguir a vacina para uma sobrinha.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a vacinação que ocorreu no gabinete do prefeito não implicou ilegalidade porque atendeu um grupo de risco, formado por pessoas mais vulneráveis ou com direito a assistência diferenciada. Mas, além do próprio prefeito, assessores de gabinete e secretários, foram imunizados dois vereadores, com seus funcionários, e cônjuges. Uma das pessoas imunizadas é a cantora Natália Cabrera Iturbe, paraguaia naturalizada brasileira, que é afilhada política e protegida de Bernal há vários anos, desde quando o político ocupava uma cadeira de vereador na Câmara Municipal de Campo Grande..

O zelo com que o prefeito trata a assessora-cantora é digno de registro. Em 2011, quando era deputado estadual, ele a incluiu na lista de artistas homenageados pela Assembleia Legislativa com a medalha Tom do Pantanal-Arara Azul. Ela era então sua assistente de gabinete. Em outra ocasião, já na condição de prefeito, Bernal escoltou Natália para uma apresentação no Programa do Ratinho, no SBT. A jovem, bela e talentosa Natália é ocupante de cargo de confiança na Prefeitura. Nasceu em Concepción, no Paraguai, e é formada em Letras.