21 de outubro de 2021
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CORRUPÇÃO | MARACAJU (MS)

"Dark Money": veja quem foi preso, os valores apreendidos e a fuga do ex-prefeito

A polícia está no encalço do ex-prefeito Maurílio Ferreira Azambuja; suspeito de integrar grupo criminoso que desviou R$ 23 milhões da Prefeitura

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Deflagrada nesta quarta-feira (22.set.21) pela Polícia Civil para desmontar esquema de corrupção que desviou R$ 23 milhões da Prefeitura de Maracaju (MS), no período de 2019/2020, a Operação “Dark Money” apreendeu R$ 252 mil em dinheiro e cheques e cumpriu sete mandados de prisão

Foram capturados pela polícia os ex-agentes públicos: Lenilson Carvalho Antunes, de 44 anos, (ex-secretário de finanças do município), Daiana Cristina Kuhn, de 37 anos, (ex-secretária municipal de administração), Iasmin Cristaldo Cardoso, de 28 anos, (ex-diretora do Departamento de Tesouraria), Fernando Martinelli Sartori, de 36 anos, (ex-assessor especial de gabinete), o empresário Pedro Emerson Amaral Pinto – dono da Tapeçaria Lobo, de 67 anos e Moisés Freitas Victor, de 20 anos, esse último teria ligação com o dono da tapeçaria. 

A polícia está no encalço do ex-prefeito Maurílio Ferreira Azambuja, 7º alvo da operação que é considerado neste momento foragido da Justiça. Equipes do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), que comanda a operação, estiveram na casa do político nesta manhã para levá-lo preso, mas ele não foi encontrado.

Dracco em frente a casa de Maurílio Azambuja, nesta quarta (22.set). Foto: Reprodução Em frente a casa de Maurílio Azambuja, nesta quarta (22.set). Foto: Reprodução 

De acordo com a delegada do Dracco, Ana Cláudia Medina, 60 policiais foram divididos para buscas em 26 endereços nesta quarta. Num dos locais os investigadores acharam R$ 143 mil em espécie e mais R$ 109 mil em folhas de cheque.

Em outros endereços foram apreendidos discos rígidos, uma dezena de veículos, equipamentos eletrônicos, smartphones, computadores, documentos, armas de fogo e munições de vários calibres, jóias e até um barco com reboque. 

A polícia disse que também procedeu ao bloqueio de diversas contas bancárias, tanto de pessoas físicas como jurídicas.

Desde o início desta manhã o MS Notícias tenta contato com Maurílio por mensagens e ligações, mas sem sucesso. A delegada disse que apesar de não ter sido achado, a polícia segue diligências ininterruptas com o objetivo de realizar o cumprimento da ordem judicial de prisão do ex-prefeito.

Conforme adiantamos mais cedo, um documento de expedição de prisão a que a reportagem teve acesso diz que o grupo deve ficar preso preventivamente pelo prazo de 5 dias, prazo esse que pode ser prorrogado. 

O Dracco explicou que todos os presos nesta quarta já foram submetidos a exame de corpo de delito e pela audiência de custódia em Maracaju. Eles vão ser transferidos à carceragem de unidades policiais de Campo Grande (MS), onde devem prestar depoimento sobre a suspeita de envolvimento em crimes contra o patrimônio público.

Pela suspeita levantada, havia uma conta clandestina, onde a prefeitura movimentava dinheiro de forma irregular com as empresas.

“Muitas das empresas beneficiárias não mantinham relação jurídica com a prefeitura. Além disso, não havia emissão de notas fiscais e os valores não eram submetidos a empenho de despesas, operações legais que devem ser observadas pelos entes públicos”, argumentam os investigadores. 

“Equipes do Dracco, com o suporte técnico do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), constataram que foi criada uma conta bancária de fachada, por onde foram promovidos mais de 150 repasses de verbas públicas em menos de 1 ano. A partir de negócios jurídicos dissimulados, integrantes do alto escalão da prefeitura emitiram mais de 600 lâminas de cheques, que totalizaram mais de R$ 23 milhões às empresas, sem qualquer lastro jurídico para amparar os pagamentos”, completou.