10 de abril de 2021
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PMDB

Decisão de André pode causar efeito dominó em Campo Grande

Ex-governador e ex-prefeito, prestigiado por Temer, pode anunciar esta semana se vai concorrer à Prefeitura

A simples hipótese de André Puccinelli (PMDB) candidatar-se à sucessão de Alcides Bernal (PP) já era suficiente para preocupar as pré-candidaturas estabelecidas para a disputa de outubro próximo. Agora, prestigiado pelo presidente em exercício Michel Temer, seu amigo pessoal, o ex-governador e ex-prefeito campograndense tem no seu colo a esperança depositada da família peemedebista que sonha recuperar a hegemonia política e administrativa de Campo Grande.

 

Na próxima semana -  provavelmente na quinta-feira - , e depois de conversar muito com a família e os amigos mais próximos, Puccinelli deve lacrar de uma vez por todas as especulações sobre seus próximos passos na política. A queda da presidenta Dilma Roussef, a ascensão de Michel Temer e a situação eleitoral desconfortável do PMDB no período de pré-campanha podem tê-lo instigado a repensar o que havia assegurado em 2014, quando concluiu o segundo mandato de governador e proclamou a determinação de aposentar-se de disputas eletivas para dedicar-se a família e virar um “vovorista” (motorista dos netinhos).

 

Sem Puccinelli no páreo, a expectativa de disputa põe no centro das articulações o ex-prefeito Nelsinho Trad, o deputado estadual Marquinhos Trad, a vice-governadora Rose Modesto e o prefeito Alcides Bernal como postulantes mais fortes, atualmente, ao cargo máximo do poder local. Com Puccinelli, é de prever-se que a figura mítica de quem consegue sobreviver com seu prestígio mesmo no sereno obrigue a concorrência a reavaliar suas chances, porque, inevitavelmente, o cenário das possibilidades seria bem diverso do que está retratado hoje.

 

O PMDB, todavia, vem acumulando seguidos revezes eleitorais e políticos. Perdeu a Prefeitura em 2012 e dois anos depois viu os ex-aliados do PSDB derrotarem o candidato peemedebista ao Governo, Nelsinho Trad. A redução dos espaços políticos que antes eram cativos da legenda só não foi maior porque um acordo garantiu a chapa única que fez do deputado estadual Júnior Mochi o presidente da Assembleia Legislativa.

 

Hoje, Campo Grande é a esperança do PMDB de reanimar-se politicamente com a possibilidade de conquistar um poderoso reduto político. Uma candidatura de Puccinelli, por si só, poderia injetar novo ânimo à militância que não está vendo com perspectivas muito otimistas suas chances em várias das maiores cidades de Mato Grosso do Sul, como Corumbá, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Nesses municípios, os quatro maiores abaixo da capital, os primeiros lugares das intenções de voto já consultadas e divulgadas estão ocupados por pré-candidaturas do PSDB, PDT e PR.

 

ALIANÇA INSÓLITA – Especula-se ainda nos bastidores, com reverberação nas mídias sociais, a construção de um “Plano B” no PMDB, que seria indicar o vice da tucana Rose Modesto. Talvez sta solução, mesmo surpreendente, esteja endo cogitada, até porque o PSDB não conseguiu ainda decolar com sua pré-candidata. E na quinta-feira passada os republicanos, para aquecer as turbinas da campanha, realizou um ato para anunciar o empresário e superintendente do Sebrae-MS, Cláudio Mendonça, indicado pelo PR, para ser o vice de Rose Modesto.

 

A reação a esse anúncio não teve a repercussão proporcional ao peso pessoal do empresário no universo classista. Não empolgou a militância, desconfiada de um possível candidato que nunca concorreu a cargos eletivos do gênero e possui pouca ou nenhuma inserção com as grandes massas que formam a maioria do eleitorado. Nesse nicho da conjuntura, pode ser criada uma condição para uma inusitada composição reunindo PSDB e PMDB, apesar das rusgas que separaram as duas siglas e seus principais líderes, transformando-os em adversários figadais. Porém, no plano nacional tucanos se uniram aos peemedebistas para garantir a derrubada de Dilma e a investidura de Temer. O que já deixa no ar um tempero extra para a cozinha da sucessão local.