04 de dezembro de 2020
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Efeito Bumerangue: ou a CP acaba com Bernal ou mingau esfria

Possível ou não, uma nova manobra na tentativa de defenestrar do cargo o prefeito Alcides Bernal (PP) corre o risco de expor os manobristas ao ridículo. A Comissão Processante instaurada no ano passado, e que há meses intercala-se entre a ficção e a realidade, depende de decisões que se arrastariam indefinidamente pelas barras dos tribunais em suas diferentes instâncias. Ainda assim, é este colegiado de faz-de-conta o único instrumento capaz de por em verdadeiro risco o mandato do prefeito dos 270 mil votos.

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Arquiteta-se nos subterrâneos um novo plano para enredar Bernal e atirá-lo à cova dos leões. Mais uma vez com vereadores investidos da responsabilidade de cumprir as ordens do desejo-maior dos torquemadas de plantão. As trapalhadas que são atribuídas ao prefeito, e nelas algumas doses evidentes de incontinência gerencial, ainda não constituem corpo processual consistente para que seja apeado do poder.

Bernal errou e repetiu erros ao longo do primeiro ano de mandato. Cometeu tropeços políticos e gerenciais, cujas implicações éticas e jurídicas precisam de rigorosa avaliação técnica e constitucional para que se conheçam sua real extensão. Assim, por enquanto ninguém possui, em avaliação desapaixonada, a condição necessária para afirmar que Bernal é culpado ou inocente. Nesta análise não entra o sentimento popular, que envolve emoções opostas entre si, tanto dos eleitores que continuam acreditando em Bernal quanto dos que o reprovam ou dos que com ele se decepcionaram.

A Justiça e os vereadores, especialmente os da Comissão Processante, formada por um grupo de olhar pré-concebido e escalado clara e grosseiramente para cassar o mandato do prefeito. E um prefeito que muito contribuiu para que fosse formatado esse quadro, ora por omissão, ora por excesso de autosuficiência, ora por individualismo e, quase sempre, por insegurança.

Porém, que os detratores de Bernal não se iludam e soprem com paciência o mingau quente se quiserem degustá-lo na beirada do prato. O prefeito continua bem postado no coração e na consciência do grosso de seu eleitorado. O homem começa a suscitar em amplas faixas da opinião pública a clássica e auto-compensatória tese do “ruim com ele, pior sem ele”. Há quem traduza de maneira mais ferina e objetiva esse ditado popular: “Ruim com ele, pior com seus antecessores”.

Edson Moares, especial para MS Notícias