18 de outubro de 2021
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KIT COVID-19 | CPI

Idosos não sabiam que eram cobaias, diz advogada de médicos da Prevent

Confrontada pelo senador bolsonarista Marcos Rogério (DEM-RO), que tentou desqualificá-la, a advogada rebateu: "Se o senhor desconhece a função social do advogado, o senhor não deveria estar aqui me inquirindo"

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Aadvogada de médicos que trabalharam na Prevent Senior, Bruna Morato, afirmou à CPI da Covid que pacientes idosos da operadora de saúde não eram alertados de forma detalhada sobre os riscos do uso de medicamentos do chamado "kit covid" e que, portanto, mesmo assinando o consentimento, não sabiam que seriam "feitos de cobaia".

"O paciente idoso é extremamente vulnerável. Na consulta por telemedicina, médico falava que tinha tratamento bom. Se quiser participar desse tratamento precisava dar ok, eles falavam ok, mas eles são parte de população vulnerável, eles não sabiam que iam ser feitos de cobaia", disse Morato.

Segundo ela, os pacientes eram orientados a tomar o "kit covid" no segundo dia de sintomas, o que era chamado de "golden day". "Tinham que tomar o kit e supostamente estariam salvas de qualquer complicação", relatou a advogada.

CONJUNTO DE PROVAS

Após ser confrontada pelo senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), Bruna Morato afirmou que não estaria depondo à CPI da Covid se não houvesse um conjunto de provas que corroboram os relatos de seus clientes.

"Se o senhor desconhece as prerrogativas, eu sinto muito, essa deselegância que o senhor tem ou outros tem na tentativa de desqualificar a denúncia só mostra que não tem qualquer condição técnica para tentar contestar os fatos", disse ela após Marcos Rogério questionar sobre a condição em que Morato estaria depondo à CPI, se como testemunha ou advogada.

"O senhor desconhece as prerrogativas, estou aqui porque tenho direito de estar aqui, para defender os interesses do meus clientes. Se o senhor desconhece a função social do advogado, o senhor não deveria estar aqui me inquirindo", rebateu a advogada.

Em resposta aos senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e Marcos do Val (Podemos-ES), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) esclareceu antes do intervalo que Bruna Morato, como advogada, está respaldada pela OAB para expor as confidências feitas pelos clientes (12 médicos) desde que autorizada. Ele disse ainda que a advogada, ao ser convocada para depor à CPI, está liberada a oferecer as informações desde que seja observado o interesse da causa. Nesse caso, segundo Randolfe, verifica-se a “supremacia do interesse social sobre o interesse particular”. Morato reafirmou que possui a autorização dos seus clientes e que seu depoimento se baseia em fatos e provas. 

A CPI ouvirá, na quinta-feira (30), o empresário Otávio Oscar Fakhoury. Segundo Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento desse depoimento, Fakhoury é “o maior financiador de disseminação de notícias falsas”. O senador cita como exemplo os canais Instituto Força Brasil, Terça Livre e Brasil Paralelo. O pedido de convocação do empresário foi aprovado pela comissão nesta terça-feira (28).

Fonte: Agência Senado e Estadão Conteúdo.