20 de outubro de 2020
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VAGA

Investigado, Flávio tenta aproximar Bolsonaro de juiz evangélico por vaga no STF

Uma vaga do Supremo ficará desocupada em novembro com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que completará 75 anos.

Em campanha para ser indicado a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o juiz federal William Douglas dos Santos tem contado com a ajuda de pesos pesados para se aproximar de Jair Bolsonaro (sem partido).

Além de ter o apoio de líderes evangélicos, o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), tem buscado impulsionar o nome do pastor do Rio de Janeiro junto ao pai e a auxiliares de confiança do presidente.

A informação de que o juiz recebeu a chancela de Flávio, que está na mira de investigações por suspeita de abrigar em seu gabinete como deputado estadual um esquema da chamada "rachadinha", foi confirmada por três pessoas próximas ao presidente e por três aliados do magistrado.

Uma vaga do Supremo ficará desocupada em novembro com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que completará 75 anos. Bolsonaro indicará o substituto, que terá de ser aprovado pelo Senado.

A situação jurídica de Flávio passará pelo STF, que decidirá sobre a concessão de foro especial ao senador. Caso o benefício seja confirmado, poderá ganhar força a tese de anulação das provas colhidas quando a investigação estava sob responsabilidade do juiz de primeira instância Flávio Itabaiana.

Segundo relatos feitos à reportagem, o juiz Douglas teria auxiliado Flávio a se aproximar de líderes de igrejas evangélicas no Rio de Janeiro durante a campanha eleitoral de 2018.

Desde o início do ano, o magistrado tem se deslocado a Brasília com frequência. Durante um período, viajou à capital federal quinzenalmente, segundo aliados. Em ao menos uma dessas ocasiões, no meio do ano, o juiz teve um encontro com Flávio no gabinete do senador.