29 de setembro de 2020
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JUSTIÇA

JBS repassou R$ 1,1 milhão às campanhas de Geraldo e Marçal em 2014, diz delator

Ex-executivo da JBS, Ricardo Saud, diz que a empresa repassou R$ 30 milhões para deputados federais em troca do apoio à candidatura de Cunha à presidência da Câmara dos Deputados

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin determinou a abertura de inquérito para apurar a compra de deputados pelo ex-deputado Eduardo Cunha (MDB), condenado a 14 anos de prisão na Operação Lava Jato. Segundo pedido, a JBS repassou R$ 1,103 milhão às campanhas em 2014 do deputado estadual Marçal Filho e do secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, ambos do PSDB, de Mato Grosso do Sul. Eles fazem parte da lista de 18 políticos alvos do Fachin. 

Segundo acordo de delação premiada do ex-executivo da JBS, Ricardo Saud, a empresa repassou R$ 30 milhões para deputados federais em troca do apoio à candidatura de Cunha à presidência da Câmara dos Deputados. Cunha teria realizado a manobra para contrapor a presidente Dilma Rousseff (PT), que estava com a popularidade em alta e acabou reeleita.

Doações oficiais e notas frias foram os caminhos aos repasses, além de entregas em espécie, de acordo com a delação de Saud. Apenas três investigados possuem foro especial porque foram reeleitos no ano passado e continuam na Câmara: Carlos Bezerra, do Mato Grosso, Mauro Lopes, de Minas Gerais, e José Priante, do Pará.

Marçal Filho, recebeu R$ 653 mil da JBS para disputar a reeleição, conforme mostra prestação de contas encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE): a direção nacional do MDB repassou R$ 150 mil, enquanto a candidata a senadora Simone Tebet (MDB) encaminhou mais R$ 250 mil.

Marçal negou ter recebido qualquer recurso diretamente da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ele confrontou a acusação dizendo que não discutiu o apoio à candidatura de Cunha à presidência da Câmara porque acabou perdendo a eleição.

Geraldo Resende teria recebido repasse de R$ 453 mil pela JBS, conforme a prestação de contas feita à Justiça Eleitoral. Na época no MDB, ele recebeu R$ 150 mil diretamente da JBS. Segundo o Midiamax, na delação premiada, Saud apontou o repasse de R$ 150 mil à Resende.

Em nota, o secretário de Saúde admitiu que houve repasse por meio do então presidente nacional do partido, Michel Temer.

Ao contrário de Marçal, Resende teve mais sorte e acabou reeleito. Ele confirmou que votou em Eduardo Cunha para presidente da Câmara, mas negou ter sido em troca de propina ou financiamento da campanha. Em nota, ele ressaltou que acabou optando por Cunha por fidelidade partidária, já que ele era o candidato do MDB.

A delação premiada de Ricardo Saud foi homologada por Fachin em maio de 2017 e vem à tona agora, com abertura de inquérito contra os suspeitos. 

Até o momento, apesar da empresa ter denunciado o pagamento de propina para mais de 1,7 mil políticos, ninguém foi condenado com base nas revelações bombásticas dos irmãos Batista.

(*Com informações de O Jacaré).