27 de janeiro de 2022
Campo Grande 30º 22º

EFEITO LULA

Lula "sepulta Bolsonaro" em live com 300 mil de audiência simultânea

Usou as redes para estabelecer antecipadamente o debate, grande "bicho papão" de Jair Bolsonaro

A- A+

A entrevista de Lula ao Podpah, com audiência simultânea de mais de 300 mil pessoas, inaugurou uma nova era na política brasileira, na qual Jair Bolsonaro não é mais a força hegemônica. O político de extrema direita que se elegeu aos gritos de ódio contra a oposição foi "sepultado" pelos sorrisos em uma entrevista descontraída que reuniu quase meio milhão de brasileiro em frente a tela, não pelo canal de TV, mas sim pela internet.  

A recepção calorosa e amistosa dos entrevistadores do Podpah sinaliza duas grandes mudanças na conjuntura política deste final de 2021. O MS Notícias falou do "efeito Lula" nesta sexta (3.dez.21), que poderá causar grande impacto nas eleições estaduais

Em entrevista, Lula incentivou os jovens a entrarem na política para mudar a realidade e melhorar o país. Conversando com os jovens Mítico e Igão, Lula disse entender o descrédito de parte da população com os políticos, mas defendeu que não existe saída fora da política e da democracia.

“Você pode não gostar de política, ficar falando que todo político é ladrão… Mas você tem que pensar no país. Então, seja você o político porreta que você quer!”, disse Lula. O ex-presidente lembrou que ele mesmo não gostava de política até perceber que os trabalhadores não tinham representatividade no Congresso Nacional. “Se você está descontente com alguma coisa, é com política que vc vai mudar. Você tem que participar”.

A celebração ocorre em um ambiente de pacto entre os grandes influencers populares da candidatura Lula. A aliança vem sendo construída há meses.

A entrevista de Lula ao podcast de Mano Brown no Spotfy, em setembro, foi o primeiro marco desse movimento, em que Lula inaugurou a sua força na internet. A plataforma divulgou que a entrevista de Lula ao rapper paulista foi o podcast de maior audiência no Brasil em 2021.

A derrota, em qualidade e quantidade, de Bolsonaro nas redes sociais, se apresenta em números. A live de Bolsonaro de quinta (tradicionalmente feita para Bolsonaro atacar adversários), exibida mais ou menos no mesmo horário da entrevista de Lula, soma 90 mil visualizações. A entrevista com Lula ao Podpah já tem 3,8 milhões de visualizações, e está crescendo rapidamente a cada minuto.

Em análise de Miguel do Rosário, no O Cafezinho, o jornalista diz: "Dentre as inúmeras diferenças entre o Antigo Regime da mídia, e os novos tempos da internet e redes sociais, uma das mais interessantes é a transparência destas últimas. Quando um medalhão do colunismo político dava sua opinião na imprensa escrita, não tínhamos a menor ideia de quantas pessoas leriam o texto. Mesmo a audiência da TV aberta sempre foi obscura. Havia inclusive interesse, por parte dos grupos dominantes, de manter essa penumbra, que lhes ajudava a esconder seus fracassos, por um lado, e a empurrar conteúdos políticos impopulares, de outro. O mundo das redes, ao contrário, é de uma transparência brutal. Podemos ver, em tempo real, a audiência de todos os conteúdos. No caso das lideranças políticas, a sua influência nas redes sociais pode ser medida pelo tamanho de sua mobilização", analisou.  

Bolsonaro, até ontem, era a liderança política com mais força na internet. Por isso conseguiu vencer as eleições mesmo com praticamente zero tempo de rádio e TV em 2018. Foi devido às redes que Bolsonaro também conseguiu fugir dos debates eleitorais, o que naturalmente mostraria a incompetência política, algo comum a Bolsonaro.  

Lula, ao contrário, usou as redes para estabelecer antecipadamente o debate e mais de 300 mil pessoas assistiram simultaneamente e enviaram perguntas, sem fuga. A entrevista de Lula inaugurou um novo momento político no país.   

Lula já é o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto. Agora é também a figura política que gera mais mobilização na internet.

A entrevista ao Podpah estourou a bolha da esquerda e tem potencial de fazer o petista não apenas ganhar mais alguns pontos nas próximas pesquisas, como de reduzir sua rejeição em setores estratégicos da sociedade, especialmente nas periferias das grandes cidades.

VEJA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA ABAIXO:

*Com O Cafézinho.