02 de agosto de 2021
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Mato Grosso do Sul lidera ranking de suicídios

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Mesmo tendo a segunda maior população indígena do país, com 70 mil índios divididos em várias etnias, Mato Grosso do Sul possui apenas 0,2% do território do Estado ocupada por terras indígenas. As áreas ocupadas pelas lavouras de soja (1.100.000 ha) e cana (425.000 ha) são dez e trinta vezes maiores que a soma das terras ocupadas por índios.

Vale lembrar que ao tentar aumentar o número de terras demarcadas, os índios acabaram vivendo momentos de perda no Estado. No dia 30 de maio de 2013, o índio Oziel Gabriel foi morto durante um confronto entre indígenas e policiais durante a reintegração de pose da fazenda Buriti, em Sidrolândia - distante 70 quilômetros de Campo Grande. Outro fato que gerou revolta entre os índios foi a morte do adolescente da comunidade Tey Kuê, Denílson Barbosa, 15, que estava pescando em um rio da Fazenda Santa Helena, em Caarapó- distante 270 km de Campo Grande e foi morto a tiros no dia 16 de fevereiro de 2013. Como forma de protesto, 200 pessoas da comunidade ocuparam a fazenda, que já era reivindicada como terra indígena.

Além de ter um baixo número de terras demarcadas, o alto índice de violência faz com que o Estado tenha oito municípios entre os 13 que possuem as maiores taxas de suicídio entre indígenas. A taxa de assassinatos (cem por cem mil habitantes) é três vezes maior que a média nacional, que é de 29 homicídios por cem mil habitantes.  Pelo Censo de 2010, os indígenas de Mato Grosso do Sul representam 2,9% da população e contribuem com 19,9% dos suicídios: quase sete vezes mais.

 Dany Nascimento