29 de novembro de 2020
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Moradores da cidade de Deus vão a prefeitura pedir explciações do prefieto

Heloisa Lazaryne Moradores da Cidade de Deus II estivera hoje na prefeitura para cobrar do prefeito Alcides Bernal (PP) a construção de casas populares na região. Cerca de 40 pessoas aguardaram durante quase três horas para serem recebidas pelo prefeito. De acordo com catador de lixo e líder do grupo Rodrigo Kligiomar Rodrigues, 27, os moradores esperam que o prefeito resolva o problema e cumpra o que prometeu. “Estamos aqui porque o prefeito disse que iria construir nossas casas, mas que dependia da autorização dos vereadores, mas agora os vereadores disseram que o projeto que ele enviou é para outras casas, não sabemos mais em quem confiar”, afirma Kligiomar. Os moradores reclamam da falta de atendimento por parte da prefeitura. A dona de casa Gabriela Barbosa, 22, afirma que está no local a pelo menos um ano e nunca recebeu visita de nenhum funcionário da EHMA (Agência Municipal de Habitação) ou da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). “Fico em casa o dia todo, nunc veio ninguém para pegar nossos nomes e fazer o cadastro”. Enquanto aguardavam a chegada do prefeito, integrantes do grupo afirmaram que caso Bernal não estipulasse uma data para início da construção das casas, eles invadiriam casas da EMHA nos bairros Moreninhas, Caiobá e Jardim Aeroporto. “Essas casas estão vazias fizeram sorteio e moradores não apareceram e o prefeito disse que nós dos barracos teríamos prioridade”, relembra a dona de casa Mariana Gonçalves, 20. Assim que se encontrou com o grupo que o aguardava, Bernal afirmou que agentes da SAS e da EMHA estão desde hoje cedo no bairro para cadastrar os moradores. “O pessoal da SAS e da EMHA estará no local hoje e amanhã, eu que os enviei para lá, por favor, façam seu cadastro pra que possamos resolver o problema das casas”, afirmou o prefeito. Bernal não perdeu a oportunidade de creditar a responsabilidade da solução dos problemas aos vereadores e mais uma vez informou os moradores da Cidade de Deus que a liberação dos recursos para construção das moradias populares está nas mãos dos vereadores. “Na Câmara tem um projeto de lei que é para os vereadores aprovarem para liberar recurso a ser utilizado na construção de casas, se o vereadores não votarem não tenho como construir casas para vocês. Dinheiro em caixa tem, mas os vereadores precisam aprovar”, declarou Bernal. O prefeito ainda aproveitou para colocar a população contra os vereadores da oposição e contra o governador do Estado André Puccinelli (PMDB) e pediu para que o povo não se deixe levar por políticos que estão contra ele. “Muitos políticos querem usar o povo como massa de manobra. Eles ficaram 30 anos no poder de não fizeram nada, e hoje dizem que tudo é culpa do Bernal”. Em entrevista à imprensa, no entanto, o prefeito admitiu que as casas cuja construção está prevista no projeto de suplementação orçamentária de R$ 9 milhões enviado à Câmara não contemplará as famílias da Cidade de Deus II, mas justificou ao dizer que “toda casa entregue a uma família já é uma grande vitória”, declarou Bernal.   Saiba Mais: Atualmente existem cerca de 800 na favela Cidade de Deus II. O terreno onde os barracos foram erguidos pertence à prefeitura e está localizado nas proximidades do aterro municipal Dom Antonio Barbosa. Os primeiros moradores da favela ocuparam o local em novembro de 2012 e em dezembro do mesmo ano, o ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) entrou com uma ação de despejo para desocupação do local. Como a ordem de desocupação não foi cumprida, em janeiro de 2013, logo que assumiu a prefeitura, Bernal entrou novamente com pedido de reintegração de posse do terreno, mas segundo a líder da favela Veronilce Moreira, 63, conhecida como Verinha, mudou de ideia e comunicou, por meio de assessores, que autorizada a ocupação do local até que as casas da EMHA (Agência Municipal de Habitação) fossem entregues. Na última terça-feira, cerca de 300 moradores da Cidade de Deus estiveram na Câmara Municipal de Vereadores para cobrar dos legisladores que autorizassem a suplementação orçamentária para que as casas fossem construídas. No dia, Verinha confirmou a reportagem que os moradores foram até o local em três ônibus fretados pela prefeitura.