14 de maio de 2021
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Força política

MS emplaca dois ministros no governo Bolsonaro

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A deputada federal reeleita Tereza Cristina já estava confirmada por Jair Bolsonaro (PSL) como sua ministra da Agricultura. E uma semana depois o presidente eleito anunciou o deputado federal Luiz Henrique Mandetta, que não disputou a reeleição, para comandar o Ministério da Saúde. Além da identidade regional – ambos são sulmatogrossenses -, Tereza Cristina e Mandetta têm em comum outra identificação marcante: são filiados ao DEM.

Com essas duas escolhas, Bolsonaro bate o martelo para consolidar um fato histórico: pela primeira vez Mato Grosso do Sul emplaca dois ministros no staff titular do primeiro escalão do Planalto. Um feito que chamou a atenção de todo o País, sobretudo porque as duas escolhas chegam robustecidas pelo apoio empolgado do presidente e maiúscula aprovação de lideranças políticas e forças setoriais envolvidas.

Além de um ganho extraordinário na valorização de seu peso político dentro do cenário nacional, Mato Grosso do Sul obtém, a partir das duas escolhas, um fator decisivo em flancos fundamentais de sua geoeconomia: a governabilidade do Estado e do maior município, Campo Grande. Assim, não poderia haver melhor costura no tecido gerencial que ganha forma na complexa transição de um exercício para outro.

ELOS - Os dois futuros ministros podem, dessa forma, servir de importantes elos com o Palácio do Planalto e vitaminar a presença do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e do prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), na esteira da agenda presidencial. É preciso lembrar e observar que antes de fazer suas opções e escolher seus ministros, Jair Bolsonaro avaliou detidamente prós e contras de cada realidade pessoal, política e partidária ao seu redor.

O presidente deve saber até que ponto valerá a pena chamar para seu ministério dois nomes de um Estado eleitoral, política e economicamente sem tamanho para competir com os estados que atuam como “donos do pedaço”, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. São duas escolhas que, em princípio, incomodariam representantes dos estados com maiores PIB (Produto Interno Bruto) e representação congressual. No entanto, parece que o histórico pessoal de Tereza Cristina e Mandetta foi suficiente para convencer Jair Bolsonaro.

MÉRITOS – Segundo a deputada federal Carmen Zanotto (PPS/SC), da Frente Parlamentar da Saúde, o colegiado aprovou por unanimidade o nome de Mandetta. Ela afirmou tratar-se de um político, médico e estudioso capacitado e conhecedor profundo dos desafios da saúde. Mandetta é médico ortopedista e passou por experiências que exigiram conhecimento e talento gestor, como no Hospital Militar e Hospital Geral do Exército, no Rio de Janeiro; Santa Casa, Unimed e Secretaria de Saúde de Campo Grande.

Da Secretaria de Saúde, onde ficou por quase seis anos, migrou para a política. Foi eleito deputado federal em 2010, reeleito em 2014 e preferiu não disputar outro mandato este ano, quando chegou a ser cotado entre as alternativas do DEM para concorrer ao Governo ou Senado. É filho de um dos mais antigos e renomados médicos do Estado, Hélio Mandetta, a quem considera sua principal e exemplar referência na medicina e no trato das questões humanistas.


Tereza Cristina Corrêa da Costa é de uma das famílias mais tradicionais do Estado, com presença destacada no agronegócio e na política desde quando Mato Grosso era um só. Líder atuante do ruralismo tem reconhecimento nacional e internacional por sua entrega às causas do segmento produtivo. Antes de se eleger deputada federal – está no segundo mandato – foi diretora e ativista sindical e secretária estadual de Produção e Desenvolvimento.

Na Câmara dos Deputados é uma das mais atuantes. Está entre as principais interlocutoras da Frente Parlamentar da Agropecuária – da qual é a coordenadora – e sempre é solicitada para os debates que focalizam as demandas da agricultura brasileira.

Sobre os desafios à frente, adianta que o ministério deve incorporar as áreas da agricultura familiar e da reforma agrária, mudanças que geram protesto das organizações dos trabalhadores rurais sem-terra. No entanto, Tereza Cristina assegura que a política publica para estes segmentos ficarão livres do condicionamento ideológico e com isso terão maiores e melhores resultados para todos os meios produtivos, sobretudo os que hoje atuam nos movimentos de sem-terra e pela reforma agrária.