25 de setembro de 2020
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"RACHADINHA PERMITIDA"

"Ninguém lava dinheiro em franquia", diz Bolsonaro sobre loja de chocolate do filho

O presidente Jair Bolsonaro assume a mesma postura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e disse nessa manhã (20), que Flávio é perseguido, ontem o próprio Flávio se colocou como alvo de perseguição em uma live que fez em sua rede social

O Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que o senador Flávio Bolsonaro lavou até R$ 2,3 milhões com transações imobiliárias e com sua loja de chocolates em um shopping da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Mas seu pai, presidente Jair Bolsonaro assume a mesma postura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e disse nessa manhã (20), que Flávio é perseguido, ontem o próprio Flávio se colocou como alvo de perseguição em uma live que fez em sua rede social, a família presidencial então repete a mesma atitude do antigo presidente, ao se dizer vítima de “caça às bruxas” pela justiça brasileira. 

De acordo com as investigações, toda a quantia em dinheiro movimentada por Flávio, seria de origem desconhecida, e o dinheiro vivo movimentado, abre suspeita de esquema de “rachadinha”, pelo o que o parlamentar é acusado, ele teria feito esquema no antigo gabinete, no cargo de senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), operado por Fabrício Queiroz, seu ex-assessor e amigo do presidente.

Jair Bolsonaro comparou, na manhã desta sexta-feira (20), o filho, Flávio, ao jogador de futebol Neymar, dizendo que ele ganha dinheiro porque consegue atrair muitos clientes, assim como Neymar, que teria um salário alto porque é o jogador "mais importante".

Bolsonaro acusou o MP de proteger o governador do Rio, Wilson Witzel, e afirmou que "pelo que parece" uma filha de Itabaiana é funcionária fantasma no governo do estado. “Acusaram ele de estar ganhando mais na casa de chocolate. O que acontece, quem leva mais cliente para lá, ele leva um montão de gente importante, ganha mais. É mesma coisa chegar para o, deixa eu ver, o Neymar e (perguntar) "por que está ganhando mais do que outros jogadores?". Porque ele é o mais importante. Não é comunismo”, disse o presidente à imprensa nessa manhã.

A prática da “rachadinha” consiste em coagir servidores a devolver parte do salário para os parlamentares. Além de lavagem de dinheiro, a Promotoria investiga a prática de crimes como peculato, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

Filho mais velho de Jair Bolsonaro, o senador nega as irregularidades apontadas pela Promotoria. Ele e seu pai criticaram o juiz Flávio Itabaiana, que conduz o caso, e os promotores responsáveis.

O Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) diz que a maior parte da lavagem se deu na franquia da Kopenhagen de Flávio no Shopping Via Parque.

Ainda, nessa manhã, Bolsonaro pode ter cometido um crime de calúnia, após relacionar Natalia Menescal Braga Itabaiana Nicolau, filha do juiz responsável pela quebra de sigilos dos ex-assessores de Flávio, a emprego "fantasma".

Na acusação contra Flávio, o MP do Rio, observou movimentação atípica aos ganhos da empresa do filho do presidente.  Os investigadores afirmam também que essas entradas de recursos em espécie coincidiam com datas em que Queiroz arrecadava parte dos salários dos empregados do então deputado estadual.

A quantidade lavada na loja, segundo o Ministério Público, pode chegar a R$ 1,6 milhão de 2015 a 2018.

Bolsonaro ainda demonstrou dominar o tema, ao dizer nessa manhã que se o filho tivesse lavado dinheiro teria sumido e que não teria sido em franquia. “Ninguém lava dinheiro em franquia”, disse o presidente. 

Desde que Flávio assumiu a franquia, em 2015, até 2018, o volume de depósitos em dinheiro vivo foi o equivalente a cerca de 37,5% dos recebimentos por cartões de débito e crédito —de 2015 a 2017, esse percentual chegou a 41,8%.

Em depoimento ao Ministério Público, o antigo proprietário da loja afirmou que essa proporção girava em torno de 20%, os dados aqui são conflituosos.

Em menos de um dia — a Defesa do senador Flávio Bolsonaro entrou com pedido de habeas corpus no Supremo para tentar impedir o prosseguimento da investigação sobre desvio de dinheiro público em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. A análise do caso, que tramita sob sigilo, ficará a cargo do ministro Gilmar Mendes. O filho Zero Um pode ter mais chances de obter uma vitória no Supremo e paralisar novamente as investigações se a análise ocorrer durante o período do recesso — sob comando de Dias Toffoli e Luiz Fux. Ambos já deram liminares que o beneficiaram

Fonte: Com informações de agências.