12 de maio de 2021
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"SEM DIREÇÃO"

Quadro é assustador e fica pior se Bolsonaro não mudar, diz Vander

“Sinal vermelho foi aceso e oposição quer colaborar para o governo achar um rumo”, afirma deputado

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Para o deputado federal Vander Loubet (PT/MS), as recentes notícias revelando os índices de encolhimento brutal da economia brasileira acenderam o sinal vermelho e impõem ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) uma mudança radical de atitude. “São cinco meses sem apresentar um projeto claro, uma proposta objetiva e, sobretudo, que saia de um contexto democrático de debates, de ideias. O governo está batendo cabeça nestes cinco meses e isso torna o quadro ainda mais assustador”, afirmou.

O petista ressalta que a oposição deseja contribuir para que o presidente e sua equipe encontrem um rumo para o País. No entanto, isto só será possível se Bolsonaro mudar a forma de relacionar-se com a sociedade, com o Congresso, com as instituições. Ele precisa sair dessa ilha individual em que só cabem os seus amigos e apoiadores. Não se governa assim”, enfatizou.

“O primeiro trimestre deste ano traz um saldo negativo com 0,2% de encolhimento da economia em relação ao trimestre de 2018. O desemprego já atinge 12,4 milhões de pessoas. Os juros seguem esfolando o empreendedor, o crédito ficou proibitivo para as classes de menor renda, os programas habitacionais perderam o impulso. Ora, não é só agarrar-se na cantilena de uma reforma da previdência com critérios equivocados como se fosse a salvação da lavoura. Ou o governo senta com todo mundo, estabelece uma articulação mínima, porém segura e confiável, ouve o que a oposição tem a ponderar, ou então completa o desmonte do País e das esperanças do povo em dias melhores”, emendou.

Sobre as ações e comportamentos equivocados do governante, Loubet cita a visita que Bolsonaro fez a Rodrigo Maia (DEM/RJ) sem avisar ao presidente da Câmara dos Deputados. “Por mais que tenham uma relação afetiva e política forte, até porque o Maia tem posições semelhantes e apóia o pacote do Planalto, no entanto, há coisas fundamentais na liturgia política. Um é o presidente de uma Nação, outra é quem conduz e lidera uma casa congressual que decide ou que se manifesta sobre políticas de Governo e de Estado”, argumentou.

Segundo Vander Loubet, os números da retração econômica divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) precisam ser dimensionados adequadamente em toda sua extensão e profundidade. “Não se trata somente de índice de estagnação. É mais grave. É retração. É retrocesso. E o Brasil caminha para uma situação mais grave se não houver uma reordenação no processo de decisões e medidas nas políticas publicas”, advertiu.

O parlamentar observou ainda que a conjuntura de crises, com reflexos negativos na produção e na oferta de empregos, está prevista para outras grandes nações. “Se o Brasil não se antecipar e construir sua própria blindagem, o caos econômico e social será dos mais impactantes da nossa história. O presidente precisa se conscientizar disso, deixar o twitter de lado, olhar ao seu redor e descobrir que além de sua base, de sua família e de seus amigos existem outras forças que, mesmo ideologicamente contrárias, se dispõem a fazer o que for preciso para socorrer as demandas legítimas do País”, concluiu Loubet.