05 de agosto de 2020
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Senadores petistas cobram do STF julgamento do mensalão tucano

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Sem esconder a tristeza pela prisão iminente de petistas condenados no mensalão, senadores do PT cobraram nesta quinta-feira do STF (Supremo Tribunal Federal) o julgamento do chamado mensalão tucano --que envolve políticos da oposição.

Os petistas afirmam que a Suprema Corte adotou "dois pesos e duas medidas" ao julgar o mensalão do PT e postergar o julgamento de caso semelhante que atinge políticos do PSDB, ocorrido antes.

Os senadores petistas consideram que o mensalão é um "episódio superado", por isso cabe ao Supremo agora dar celeridade na análise do outro suposto esquema de compra de votos envolvendo eleições.

"O esquema de pagamento de mensalidades foi criado em PSDB em Minas Gerais cinco anos antes. Não tem nem data para julgamento e corre o risco de prescrever. Não se pode ter dois pesos e duas medidas", disse Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que o STF assumiu o "compromisso" de julgar o mensalão tucano, por isso tem que cumprir seu papel. "É um compromisso que eles assumiram de analisar o caso que ocorreu com o PSDB. É natural que isso aconteça. Não dá para ter dois pesos e duas medidas."

Suplicy disse que está pronto para visitar, no presídio, companheiros petistas condenados pelo STF, como o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino.

"É um dia triste. Se trata de um momento difícil, de preocupação. Com certeza, se forem presos, eu vou visitá-los, sim. As pessoas podem ter cometido erros, mas a relação de companheirismo e amizade existe, mesmo que eu tenha algumas vezes divergido deles."

Suplicy afirma que houve cerceamento do direito de defesa dos réus do mensalão, enquanto Viana considera que o julgamento não foi "pedagógico" para o país. "Pode ser que esse julgamento deixe mais marca e trauma para a Justiça do que uma referência pedagógica", afirmou.

Apesar das críticas, o vice-presidente do Senado disse que o fim do caso vai trazer "alívio" para todos os condenados. "Se tiver um fim, mesmo com alguns que se sentem prejudicados, é melhor do que essa tortura dos últimos anos. Uma figura como o Genoino. O cara já foi torturado e tem vivido uma tortura moral nos últimos anos. É melhor que se resolva isso."

O senador Álvaro Dias (PSDB-MG) disse que será "inevitável" o julgamento do mensalão tucano, mas disse que o esquema não pode ser comparado ao mensalão petista. "O PT querer transformar os fatos em irmãos gêmeos é uma pretensão exagerada. Não há nenhuma semelhança, lá não havia mensalão, mas irregularidades em um processo eleitoral."

O chamado mensalão tucano ocorreu na disputa eleitoral de 1998 na campanha do PSDB, considerado pela Justiça e pela Polícia Federal o embrião do mensalão do PT --que veio a acontecer cinco anos depois.

O crime ocorreu na tentativa de reeleição a governador de Minas Gerais do hoje deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), que tinha como candidato a vice o hoje senador Clésio Andrade (PMDB). Tanto no esquema do PSDB, em 1998, como no do PT, em 2003, o suposto operador foi o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

O Banco Rural foi a instituição financeira usada por Valério para fazer as operações de crédito. Segundo a denúncia do mensalão tucano, os empréstimos bancários eram formas de encobrir supostos desvios de recursos de empresas públicas, usados na campanha.

Folha de São Paulo