27 de outubro de 2020
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PRESIDENTE

Vídeo: Bolsonaro confessa que 'PF é sua' e atesta denúncia de Moro

Ex-ministro da Justiça, ministério o qual a PF é subordinada, alertou as autoridades brasileiras ainda no início do ano sobre a intenção de Bolsonaro de tornar a "PF" sua

Ao responder sobre Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-lider do governo no Senado, flagrado com dinheiro da Covid-19 na cueca em operção da Polícia Federal ontem, 4ª-feira (14.out.2020), nesta 5ª-feira (15.out.2020), o presidente Jair Bolsonaro acabou assumindo que a Polícia Federal é dele. Veja abaixo a declaração do presidente:

Atualmente, tramitam duas ações com o objetivo de resguardar a Polícia Federal, uma sobre autonomia administrativa, financeira e orçamentária da instituição (PEC 412/2009) e outra conferindo mandato ao Diretor-Geral (PEC 101/2015), que seria indicado pelo presidente, mas não poderia ser exonerado durante o período de permanência no cargo. É o que diz uma carta aberta  da Associação dos Delegados de Polícia Federal enviado ao presidente. 

O ex-ministro da Justiça, ministério o qual a PF é subordinada, Sérgio Moro, alertou as autoridades brasileira ainda no início do ano sobre a intenção de Bolsonaro de tornar a "PF" sua. 

O vídeo da reunião ministerial do último dia 22 de abril mostra que o presidente Jair Bolsonaro estava claramente insatisfeito com a Polícia Federal. Falando em tom irritado, em um primeiro momento Bolsonaro reclama que a PF não lhe fornecia informações de inteligência adequadas e que ele estava desinformado em assuntos do seu interesse. Quando discursa, Bolsonaro afirma: “Vou interferir”, e olha diretamente para o então ministro Sergio Moro. “E ponto final, pô!”, complementa, voltando o olhar para o centro da câmera.

Em um segundo momento da reunião, o presidente reclamou: “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”.

No dia seguinte à reunião em que dizia que iria “interferir”, Bolsonaro chamou Moro ao Palácio do Planalto e lhe disse que havia decidido demitir o diretor-geral da PF Maurício Valeixo para indicar uma pessoa de sua confiança ao cargo. O então ministro respondeu que seria uma interferência política indevida na PF e que não havia justificativa técnica para demitir Valeixo. Também avisou ao presidente que deixaria o governo caso essa ameaça se concretizasse.

Após a demissão de Valeixo, publicada no dia 24 de abril no Diário Oficial, Moro anunciou seu pedido de demissão e afirmou que Bolsonaro queria na Polícia Federal alguém que lhe desse informações e freasse investigações em andamento. A Procuradoria-Geral da República pediu abertura de inquérito para apurar as acusações. Foi o ex-ministro que apontou, em depoimento aos investigadores, a existência do vídeo da reunião ministerial como uma prova concreta da intenção de interferência na PF por parte do presidente.

*Com O Globo.