21 de outubro de 2021
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PREÇOS | PROTEÍNAS

Produção: carne de frango e porco já está mais cara no bolso

Com carne bovina também em alta, substitutas não ficam de fora do aumento em série que acontece

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Em alta, os custos de produção de frangos de corte e de suínos registram novo aumento durante o mês de agosto. De acordo com os dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS) da Embrapa, ambos os índices ficaram acima dos 400 pontos, com 407,53 e 407,15 para frangos e suínos respectivamente.

Do Índice de Custo de Produção, nos últimos seis meses o registro foi alto. "Esses valores, automaticamente são repassados para o consumidor e já chegou. O de seis meses atrás, chegou há quatro meses, o de quatro meses atrás chegou há dois. É aproximadamente dois meses depois da operação do custo que esse valor é repassado para o consumidor", explica o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Suínos e Aves da Embrapa, Ari Jarbas Sandi. 

Em entrevista ao MS Notícias, ele conta que agosto foi apenas um dos meses que teve preços elevados no custo de produção, que é impactado por razões climáticas, especulativas e também no aumento do preço dos insumos. 

"O milho, farelo de soja estão bem alto. O preço de premixes e demais insumos alimentares também estão elevados e nessa esteira, o custo de produção são reflexos dos preços dos insumos", diz. 

Em agosto, o ICPFrango aumentou 1,68%, carregado principalmente pelas despesas de operação com a alimentação (1,62%) das aves. Atualmente o ICPFrango acumula alta de 20,97% somente em 2021 e de 44,27% nos últimos 12 meses. 

Enquanto o ICPSuíno registrou uma alta de 0,18%. Em 2021, já registra aumento de 8,52% e, nos últimos 12 meses, a variação é de 41,17%. Com isso, o custo total de produção por quilograma de suíno vivo produzido em sistema tipo ciclo completo em Santa Catarina voltou a registrar valor superior aos sete reais, fechando em R$ 7,12.

Ari Jarbas explica que os alimentos dão suporte à industrialização de rações, é o item de custo que mais impacta no valor total das produções. 

"Aproximadamente 80% na suinocultura e cerca de 75% a 73% na avicultura. Mas outros itens de custo também estão aumentando, como a energia elétrica", comenta ainda. 

Com a deficiência de abastecimento de energia, a conta ficou mais cara tanto no campo, na agroindústria e no setor urbano. 

"Esse ano aumentou mais de 40% e a previsão é de que, até dezembro, tenhamos mais uns 25 a 30 por cento ainda de aumento nos custos da energia elétrica, que é a matriz que mantém a fábrica em operação", pontua o analista sobre a energia elétrica. 

Ainda, dos reflexos dos aumentos já sentidos no bolso do cliente final, ele fala que nem sempre a lógica de repasse será essa. "Pode ser que por outros motivos, gargalos ou questões mercadológicas, ele seja repassado imediatamente, por exemplo na semana seguinte ou 15, 30 dias após... mas de modo geral já chegaram no consumidor".

TROCA DE CARNES

Ainda, o analista de Transferência de Tecnologia destaca que também a bovinocultura de corte teve aumento nos custos de produção, o que faz com que a carne bovina seja substituída pelo consumidor final por outras proteínas.

"Uma que tem substituído a carne bovina, de maneira salutária e até democrática, foi propriamente a carne de aves. Que acaba sendo uma proteína um pouco mais barata e está cumprindo o papel social dela, mas tomando também parte do mercado dos consumidores que comiam carne bovina três vezes por semana e passaram para talvez uma vez na semana".  

Ainda que as carnes bovinas sejam substituídas pela proteína de aves, por ovos ou carne suína, não significa que as alternativas sejam em si mais baratas. 

"Não temos muito o que fazer. O preço do milho está cotado em aproximadamente R$ 93. Há um mês, ele estava cotado a R$ 108, teve um decréscimo acentuado, que continua sendo elevado para a produção de animais em confinamento, como o caso da suíno e avicultura", finaliza ele.