22 de janeiro de 2021
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Tenente 'sai ilesa', ganha comando em Bodoquena e chefia sindicância de agressão

Oficial de Dia, em 26 de setembro, quando mulher foi agredida algemada foi a designada para ocupar o cargo no Comando após afastamento do 2º tenente André Luiz Leonel

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Atuava como Oficial de Dia, a tenente Bruna Carla Sanches Rodrigues. Ela mesma afirmou estar sobre sindicância na 1ª Companhia Independente de Polícia Militar em Bonito (MS), onde ocorreu em 26 de setembro de 2020 o espancamento de uma mulher algemada dentro do quartel. Na ocasião, o suspeito da agressão, o 2º tenente André Luiz Leonel, foi filmado e denunciado aqui no MS Notícias em 21 de novembro. Leonel e outros 6 PMs foram punidos, porém, Bruna foi nomeada a o cargo de confiança para o Comando do 3º Pelotão da Polícia Militar de Bodoquena, ocupando assim, o cargo deixado por Leonel. 

Bruna é denunciada por PMs bonitenses, em várias situações, por ser agressiva com os próprios colegas. Um dos denunciantes, enviou prints de ligações que teria feito à oficial de dia em 26 de setembro para comunicar a agressão contra a mulher algemada. Segundo o denunciante, a tenente Bruna não atendeu a ligação, mas em grupo fechado da PM ela teria, segundo denúncia, 'brincado' com a situação da vítima da “GU” comandada por Leonel. “GU tá jurada de morte”, escreveu Bruna em 28 de setembro, na ocasião, ao comentar a foto da mulher agredida, 2 dias após o evento. Segundo o denunciante, isso mostra que Bruna tinha conhecimento da agressão praticada contra a mulher algemada e ela não comunicou ao Comandante do quartel, Anderson Luiz Alves Avelar.

O comandante afirmou à reportagem que só tomou conhecimento do caso de a agressão contra a mulher após a mídia tornar a situação pública e defendeu Bruna, dizendo que os prints das conversas foram tirados de contexto: “O Comando Geral proibiu a gente de passar informação... A designação dela foi do alto Comando. Todos esses assuntos que estão sendo repassados aqui já foram investigados e foram constatadas as negatividades disso daí. Esses prints, tem partes que não tem fundamento. O pessoal tá entrando na justiça contra essas ações sorrateiras, porque está prejudicando a imagem dessas pessoas que não tem nada haver com o ocorrido, nem nada”, rebateu Avelar. 

Família e a mulher foram compartilhados no Grupo da PM bonitense

Além de Bruna, um soldado identificado apenas Soares, provocou os colegas do grupo ao comentar a foto da mulher agredida: “Gu de sábado pira”, escreveu Soares ao enviar a foto da vítima com a família no grupo de militares. Com isso, um dos colegas do grupo cobrou: “Quer dizer alguma coisa ao grupo Soares, que ainda não sabemos?”, Soldado Soares respondeu: “Essa QBU aí deu trabalho para a GU no sábado”. Na Sequência um outro integrante, identificado como ‘CB Silvério’ disse: “QBU ao triplo”, para fechar o bate-papo a Tenente Bruna completou: “GU tá jurada de morte”, em referência as ameaças feitas pela vítima de Leonel. Veja a conversa abaixo:

Bruna foi alçada ao cargo de confiança do comando do batalhão de Bodoquena, apesar de ela mesma dizer que estaria sendo alvo de ao menos 2 sindicâncias dentro do quartel, essas questões parecem não terem sido levadas em conta pelo Comando Geral ao designar a tenente.

Numa sindicância, seguno do denunciante, a qual buscam saber mais informações sobre o vídeo (prova do crime), repassado à imprensa, Bruna é a encarregada da apuração. “Não tem como a gente confiar em uma pessoa que estava na ocorrência, ela deveria estar respondendo a sindicância. Ela não pode cuidar de uma ocorrência sobre a situação em que ela era oficial de dia. Ou ela está procurando saber quem divulgou o vídeo?”, disse um dos convocados para testemunhar que terá o nome preservado. 

Segundo Avelar, o intuito da sindicância é apurar o porque o fato não foi comunicado ao Comandante. Ele voltou a afirmar que Bruna não sabia da situação de agressão. “Ela não sabia, ela ficou sabendo pela notícia do jornal, nós todos ficamos sabendo pela reportagem...”, reforçou Avelar.

“Tudo o que for concreto vai se chegar a uma conclusão no final do inquérito, antes disso, tudo que se fala é suposição. Se ficar provado ao contrário, cabe processo, cabe indenização, cabe essas coisas todas, entendeu?”, alertou o Comandante.

Avelar voltou a negar que uma sindicância queira descobrir como o vídeo saiu do quartel. “Essa investigação é para apurar o crime de prevaricação. Porque que não informaram o comandante. O comandante sou eu, eles entraram na minha sala e não passaram a informação. Ninguém quer saber quem foi que divulgou ou deixou de divulgar”, rebateu. 

Durante a conversa o próprio Avelar confirmou que Bruna está sob sindicância em um assunto, que segundo ele, está sendo coordenada por um Capitão de um outro batalhão, que está investigando-a. “Não tem esse negócio de eu fazer para proteger. Todas as nomeações são feitas pela Corregedoria, eles são extremamente legalistas...nós temos a precaução de respeitar o direito de defesa de todo mundo”, finalizou Avelar. 

A tenente Bruna enviou posicionamento à reportagem por meio de sua advogada:

Em relação às notícias que estão sendo publicadas informando nomes de oficiais da PM de Bonito e condutas supostamente praticadas, cumpre afirmar que tais não correspondem à verdade,  tratando-se e suposições ou situações manipuladas e ou retiradas do real contexto. 

A tenente Bruna Carla sente-se indignada com a campanha difamatória de natureza sórdida, porém tranquila, e segue tomando providências judiciais nas esferas cível e criminal no intuito de obter reparação pelos danos a ela causados e de punir os responsáveis por tamanha ignomínia.

Ao MS Notícias o Comando Geral da PM-MS disse:

"A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul informa que todos os fatos relativos ao caso ocorrido no município de Bonito-MS, estão em fase de apuração e a instituição aguarda a conclusão dos autos".

*Reportagem alterada às 8h24 de 13 de janeiro de 2021 para acréscimo de posicionamentos das partes.