23 de junho de 2021
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Gol Contra

Brasil perde de lavada para Argentina e Uruguai em campo crucial da economia

Estudo da Farsul calculou o peso dos tributos e dos custos de produção do agronegócio em quatro culturas: arroz, milho, soja e trigo

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Um estudo divulgado na quarta-feira (26) pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) revela disparidades entre os custos de produção agrícola no Brasil e em outros países do Mercosul. Também foi revelado o peso da carga tributária sobre os bens de produção.

O ‘Custo Brasil’ da agricultura para produzir grãos como soja e milho é, em média, 79% mais caro que na Argentina e 32% maior que no Uruguai, informa o Sistema Farsul. Além disso, conforme o estudo, os produtores brasileiros pagam, em média, 86% mais por insumos para importar máquinas, fertilizantes, defensivos agrícolas e demais produtos necessários para a produção.

Segundo o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, a competitividade do produtor brasileiro é prejudicada pelas dificuldades impostas na importação. Os impostos e a queda nos preços das commodities vêm impactando diretamente na lucratividade do produtor rural, o que gera desinteresse pelo cultivo de algumas atividades estratégicas como o trigo, na avaliação do estudo.

“Os resultados de safra que temos este ano são graças ao empenho do agricultor de buscar cada vez mais a produtividade. Mas estamos enfrentando uma situação de safra cheia e bolso vazio. O produtor vem diminuindo cada vez mais a sua margem e está vendendo até abaixo do custo de produção para poder sobreviver”, afirma o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, alertando que em breve também pode haver desinteresse pelo cultivo de arroz no país.

A situação é diferente nos países vizinhos. Antônio Da Luz destaca que enquanto argentinos e uruguaios podem adquirir insumos a preço de mercado internacional, no Brasil a compra de máquinas e equipamentos e outros produtos sofre uma série de restrições para proteger a indústria brasileira.

Impostos em produtos agrícolas

O estudo da Farsul calculou o peso dos tributos sobre insumos, serviços agrícolas, manutenção e distribuição e colheita em quatro culturas. O arroz lidera nesse campo, com 30,26% do custo total. Na sequência vem o milho (27,10%), soja (27,05%) e trigo (26,21%).

Para o economista-chefe da entidade, as requisições de inspeções e liberações de departamentos técnicos, além da incidência de taxas, impostos de importação, PIS/Cofins, ICMS são mecanismos que fecham o país para a livre concorrência.

Da Luz esclarece que uma das soluções seria remover os entraves burocráticos para que os produtores brasileiros consigam diminuir os seus custos de produção ao acessar produtos