16 de agosto de 2022
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UFN3 | TRÊS LAGOAS

Azambuja garante que 'tem outros interessados' e Verruck confirma denúncia de Tebet

Com 88% da obra concluída, fábrica de fertilizantes que tornaria Brasil autossuficiente está parada desde 2014

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O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), sustentou na manhã desta quinta-feira (28.abr.22) que existem outros interessados em adquirir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas (MS). A fala de Azambuja se deu em razão de a Petrobras ter anunciado, também nesta quinta, o fracasso da venda da UFN3 para a empresa russa, Acron.  

Durante a inauguração do Laboratório de Criatividade e Inovação para a Educação Básica em Campo Grande (MS). 

Azambuja disse que o fracasso da venda foi uma questão interna da Petrobras. "Vai ter outro edital e já existem outras empresas. Na semana passada, algumas pessoas me procuraram, provavelmente sabendo que a venda não avançaria. Mas tenho certeza que teremos solução e o Estado será um produtor de fertilizantes", sustentou. 

Mostramos mais cedo aqui no MS Notícias que o anúncio da Petrobras ao mercado ocorreu devido a pressão que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) fez para que fossem oferecidas informações de o porque estavam vendendo a empresa de 'portas fechadas' para a Acron transformar apenas em uma misturadora de fertilizantes. A Senadora chegou a dizer que o Brasil estaria dando a "galinha dos ovos de ouro" aos russos.  

Nesta quinta, o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, confirmou a denúncia da senadora de que os russos apresentaram uma proposta para montar apenas a misturadora. “Se tivessem apresentado plano para terminar a indústria, os incentivos seriam mantidos”, explicou Verruck.   

Explica-se que o acordo anterior, feito em 4 de fevereiro de 2022 e celebrado pela então ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP) e até pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) dependia de incentivos, como redução fiscal e doação da área que seriam dados pelo governo de MS e a prefeitura de Três Lagoas. Em contrapartida, a Acron deveria ter em Três Lagoas a sonhada fábrica de fertilizantes, finalizando a obra começada de R$ 3 bilhões no governo Dilma Rousseff que está 88% concluída, mas ao propor apenas fazer do local uma 'misturadora', na nova proposta, o acordo foi quebrado. 

“Gostaríamos de ter misturadora, até uma área seria doada, mas precisamos ter a indústria, nossa política de incentivo fiscal era exatamente para a questão industrial”, esclareceu o titular da Semagro.  

"O Governo do Estado entendeu que esse plano de negócios não estava adequado, pois não atendia aos anseios da política industrial de Mato Grosso do Sul e aos anseios da política industrial brasileira, que é o de ter uma unidade de produção de fertilizantes e nitrogenados. Em função disso, nós indeferimos o plano de negócios da Acron", finalizou, Verruck.  

FUTURO DA OBRA EM TRÊS LAGOAS

A conclusão da obra deve trazer investimentos de R$ 9,2 bilhões para MS e deve ficar para o próximo presidente eleito. Bolsonaro, ao que tudo aindica, é a favor de manter o acordo para venda da empresa. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já sinalizou que pretende finalizar a obra pela Petrobras, mantendo o projeto original de concluir a fábrica e tornar o Brasil autossuficiente na produção de fertilizantes.