19 de janeiro de 2022
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ALIADO NEGATIVO

Fracasso de Bolsonaro dinamita chances de Tereza Cristina chegar ao Senado

Desgarrar-se de Bolsonaro é uma emergência

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Considerada uma das peças mais importantes da engrenagem governamental de Jair Bolsonaro (PL), a ministra Tereza Cristina (DEM), de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está empenhada em abrir caminho para chegar ao Senado nestas eleições. Deputada federal licenciada, ela conta com o apoio declarado do presidente, que já se apresentou várias vezes como seu principal cabo eleitoral.

Entretanto, mesmo sendo uma das vozes mais fiéis e atuantes no governo e na política do Palácio do Planalto, a ministra não parece estar muito à vontade com o apoio eleitoral de Bolsonaro. O desempenho sofrível do presidente nas diferentes pesquisas de intenção de voto vem evidenciando que, além de estar perdendo terreno na marcha pela reeleição, os índices de prestígio e aprovação de governo caíram sensivelmente nos dois últimos anos.

ISOLAMENTO

Esses são Bolsonaro e Tereza Cristina. Foto: PREsses são Bolsonaro e Tereza Cristina. Foto: PR

Afetada pelas barbeiragens na condução da economia e pelo comportamento omisso na pandemia de Covid-19, Bolsonaro já deixou de ser unanimidade até entre os próprios bolsonaristas. Muitas lideranças e forças que o elegeram já saltaram do barco, alguns hoje reforçando as fileiras oposicionistas. Tudo isso está isolando o presidente, contamina negativamente a base de apoio e produz ação corrosiva nos projetos eleitorais de aliados, entre os quais a deputada e ministra sul-mato-grossense.

Um dos prováveis desdobramentos desta realidade deve ser a sigla que Tereza Cristina vai escolher ao deixar o DEM, que se fundiu ao PSL, gerando um novo partido, o União Brasil, também com a tendência de afastar-se de Jair Bolsonaro. Em Brasília, comenta-se nos bastidores palacianos que o próximo abrigo partidário de Tereza Cristina será o PP.

Embora seja comandado por um bolsonarista, o senador piauiense e ministro- chefe da Casa Civil da Presidência da Republica, Ciro Nogueira, o PP pode ser uma solução salomônica a caráter para Tereza Cristina. Em vez de ir para o PL, legenda que Bolsonaro adotou para candidatar-se à reeleição, a ministra ficaria no PP, acomodada em duas redes simultâneas: afastada da companhia partidária do presidente e permanecendo em seu bloco de sustentação política e administrativa.

EMERGÊNCIA 

Desgarrar-se de Bolsonaro é uma emergência para Tereza Cristina. Ela sabe que precisa distanciar-se dele para preservar intactos seus projetos políticos e eleitorais. Em princípio, já constatou que terá dificuldades para viabilizar o projeto de senadora. A decadência do presidente da Republica não faz dele um bom parceiro de palanque. Porém, pesa muito mais a conjuntura enfrentada pela população. A pasta da ministra não vai escapar de ser responsabilizada pela alta extraordinária do custo de vida.

O dragão inflacionário voltou e suas labaredas já passaram os dois dígitos. Além da gasolina e do botijão de gás, os custos proibitivos tomaram conta das prateleiras de gêneros alimentícios nos grandes supermercados e até nos pequenos bolichos da periferia. Um dos exemplos é o pacote de café custando de R$ 13 a 22 em MS. Mostramos aqui no MS Notícias que o produto terá maior alta dos últimos 25 anos em 2022. Os juros devoram os diferentes nichos de crédito e as economias populares já sofrem de inanição.

A cada dia que passa, com a solidez de Lula na liderança e as pontuações de Jair Bolsonaro ladeira abaixo nas pesquisas, tudo indica que o projeto eleitoral de Tereza Cristina para este ano seja revisto. Buscar a vaga de senadora num cenário absolutamente desfavorável não seria saída inteligente para a ministra. E isto não somente por causa do derretimento da popularidade de Bolsonaro. Ela mesma já protagonizou episódios que vão entrar na lista de cobranças dos eleitores durante a campanha.

Tereza Cristina, logo que assumiu o Ministério, foi maldosamente apelidada de menina veneno, por ter facilitado as coisas para os fabricantes de venenos agrícolas e facilitar a venda desses produtos, muitos deles proibidos em várias partes do mundo, como na Europa e Estados Unidos. Também está na sua conta a tentativa absurda de mudar a legislação e as normas técnicas e sanitárias para acabar com o prazo de validade dos alimentos. A pretexto de “evitar o desperdício”, Tereza Cristina queria que fossem disponibilizados para consumo humano gêneros alimentícios com prazo de validade definido pelas autoridades sanitárias.

Ao comentar sobre os preços dos produtos no bolso do consumidor Tereza não mediu as palavras alertando que tudo deve ficar ainda mais caro nesse ano. “Eu acredito que esse ‘boom’ continue pelo menos por este ano e o outro", disse ela, sobre as altas dos preços, alegando que se devem a um crescimento da demanda global por produtos brasileiros.