16 de agosto de 2022
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EXTREMA-DIREITA | POLÍTICA

Movimento de Bolsonaro é brocha: 'já vi 5 vezes isso', diz Abraham Weintraub

Veja o vídeo em que o ex-ministro revela o modus operandi do presidente

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O ex-ministro da educação Abraham Weintraub fez um live com seu irmão Arthur Weintraub dizendo que já viu ao menos 5 vezes essa mesma movimentação "brocha" de Jair Bolsonaro (PL), contra o Supremo Tribunal Federal (STF). "Eu não tô falando que aconteceu uma vez, ou 2 vezes, eu tô falando que já aconteceram isso 5 vezes. E as 5 vezes a dinâmica foi exatamente igual. Então, você faz o movimento agressivo, chama a população para rua e recua. E você fica com a brocha na mão. O que vai acontecer, daí: os caras do STF têm mandato para mais 20, 30 anos. O presidente Bolsonaro termina o mandato dele agora, no final do ano e talvez a reeleição. Quem vocês acham que a Polícia Federal vai obedecer nesses 3 anos e meio que, no qual o presidente Bolsonaro recuou várias vezes", questionou Abraham Weintraub. 

Fazendo um trocadilho, com um time de futebol Portuguesa de Desportos, Abraham diz que tem certeza que Bolsonaro vai recuar e não sairá vitorioso do embate com o STF. "Eu tenho certeza, infelizmente, com base no que eu vi, que a Portuguesa de Desporto não será campeão paulista esse ano, nem campeão do Brasileirão esse ano. E eu acho que a chance do presidente Bolsonaro recuar novamente é gigantesca", disse.

 

 

Para os irmãos Weintraub o movimento conhecido bolsonarista desembocará em nada. Fazendo ataques ao grupo político chamado de Centrão (aliado de Bolsonaro), eles se disseram céticos ao induto dado por Bolsonaro ao deputado estadual Daniel Silveira, que foi condenado e na quarta-feira (21.abr). Eles também alegaram que muitas pessoas aliadas de Bolsonaro foi abandonada e que nunca antes o benefício foi fornecido.  

Após a divulgação do bate-papo técnico entre os irmãos Weintraub, o filho de Jair, Eduardo Bolsonaro não gostou das críticas e em publicação nas redes sociais, Eduardo xingou os ex-integrantes do governo. “A gente tá (na) guerra e o cara me falando em precedente, como se nunca um corrupto tivesse recebido indulto e agora o instrumento tenha sido utilizado para seu fim: soltar um inocente. E quem fala são os irmãos que saíram do país para se livrar desta perseguição. São uns filhos de uma puta! Desculpa, mas não há outra palavra”, escreveu.

Embora Eduardo ofrenda os irmãos por terem saído do país, Abraham Weintraub foi para os Estados Unidos após deixar o ministério da Educação, em junho de 2020, para ocupar um cargo de diretor-executivo do conselho do Banco Mundial indicado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Na época, o ex-titular da pasta era alvo de uma série de polêmicas envolvendo o governo federal, especialmente depois de ter defendido a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os chamado de vagabundos em vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

Eduardo ficou muito irritado, pois, no vídeo, Arthur Weintraub, que também foi ex-assessor especial da Presidência da República, chegou a dizer que o perdão a Daniel Silveira criava "precedentes péssimos": "Depois você vai querer comparar o que aconteceu com o Daniel com um cara lá na frente que estiver condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, falar ‘não, isso aqui também, já tem o precedente’. É impressionante, nunca pensei que ia ver uma coisa dessas", disse Arthur.  

No vídeo (live) também participaram: Paulo Eneas e Ernesto Araújo.

DECISÃO DO INDULTO AO ALIADO

O presidente e seus aliados mais próximos tinham a medida como opção caso alguma das investigações em curso no Supremo Tribunal Federal atingisse o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Neste sentido, o indulto não foi pensado pela situação de Silveira, mas como um “recado” para a Corte.

Por isso, ministros do STF avaliam com cuidado quais serão os próximos passos e têm preferido manter cautela, evitando declarações públicas. A intenção é baixar a fervura e avaliar o cenário com mais calma, a partir de segunda-feira (25.abr.22). Silveira foi condenado a 8 anos e 9 meses de prisão, inicialmente em regime fechado, por ameaças e incitação à violência contra ministros da Corte.

No ano passado, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Siveira, abriu um inquérito para apurar a atuação de grupos organizados que disseminam ataques à democracia e mensagens de ódio nas redes. Carlos, filho 02 do presidente, é citado em um relatório da Polícia Federal que investiga o caso. Eduardo, por sua vez, foi alvo da CPMI das Fake News no Congresso.

*Com O Globo.