24 de julho de 2024
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"ELEIÇÕES 2020"

Prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes vira réu por compra de votos

Justiça suspeita que Iunes cometeu corrupção eleitoral em 24 ocasiões e falsidade ideológica em sete

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) aceitou, na última terça-feira (18.jun.24), a denúncia contra o prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (PSDB), e dois servidores municipais, por crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica. A decisão unânime do tribunal abre caminho para que Iunes, se condenado, possa ficar inelegível pelos próximos oito anos.

A Procuradoria Regional Eleitoral apresentou provas robustas de que Iunes cometeu corrupção eleitoral em 24 ocasiões e falsidade ideológica em sete. Também foram denunciados o assessor Marconi de Souza Júnior e a servidora técnica de saúde Mariluce Gonçalves Leão, responsável pela Central de Regulação da Secretaria de Saúde. Segundo as investigações, entre fevereiro de 2019 e novembro de 2020, o trio teria dado, oferecido e prometido dinheiro, cestas básicas, remédios e outras vantagens em troca de votos.

Durante o julgamento, o relator do caso, juiz José Eduardo Chemin Cury, destacou que a denúncia atende a todos os requisitos legais, descrevendo detalhadamente as circunstâncias dos crimes e identificando os envolvidos. “Os denunciados não trouxeram aos autos qualquer elemento que pudesse levar à rejeição da acusação”, afirmou o magistrado. Os colegas de Cury no TRE-MS concordaram unanimemente com a aceitação da denúncia.

A denúncia relata que, em 4 de novembro de 2020, Marconi de Souza Júnior foi abordado pela Polícia Federal saindo do diretório de campanha do PSDB com uma planilha contendo dados de eleitores e R$ 7.750,00 em espécie, divididos em porções de R$ 250,00. Após a quebra de sigilo telefônico, surgiram indícios de uma associação criminosa composta por agentes públicos e políticos visando a prática de crimes eleitorais.

Imagens anexas à denúncia do MP Eleitoral.Imagens anexas à denúncia do MP Eleitoral.

Além da distribuição de dinheiro e bens, a compra de votos incluía a realização ou antecipação de exames e procedimentos médicos no Citolab, laboratório credenciado, intermediados por Mariluce Gonçalves.

Os três acusados negam as acusações. A próxima sessão de julgamento no TRE-MS pode decidir o futuro político de Iunes e sua rede política afundada em acusações e suspeitas em Corumbá.  

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