01 de dezembro de 2021
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IRMANDADE POLÊMICA

Irmãos de prefeito protagonizam malfeitos gerenciais e políticos em Corumbá

Casos envolvem servidores de hospital que não recebem rescisão e voto de intruso na Assomasul

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Além das caronas que pegam em cargos públicos, não-rariamente sem prestar concurso, familiares do prefeito reeleito de Corumbá, Marcelo Iunes (PSDB), são protagonistas de episódios nada exemplares no exercício de responsabilidades políticas e administrativas. Ao menos é o que vem sendo demonstrado por dois irmãos do prefeito, Eduardo Aguilar Iunes e Márcio Iunes.

Antes de ser afastado da presidência da Junta Interventora da Santa Casa de Misericórdia, por determinação da Justiça, Eduardo Iunes deixou de pagar as rescisões indenizatórias de dezenas de funcionários demitidos do estabelecimento. O caso repercutiu negativamente na cidade e fez até a população se solidarizar com as famílias atingidas pelo problema.

De acordo com os ex-funcionários, algumas demissões foram de natureza política, porém o mais importante para eles é receber — se preciso com ação judicial — o que lhes é devido. Os deputados informaram que encargos obrigatórios como o FGTS e INSS não foram depositados pelo gestor do hospital e isso criou situações dramáticas de sobrevivência.

Enfermeiros da Santa Casa protestamEnfermeiros da Santa Casa protestam. Foto: Assecom 

Eduardo já havia sido pivô de um escândalo no primeiro mandato do irmão, quando foi nomeado para comandar a Secretaria Municipal de Governo. Pressionado pela opinião pública, Marcelo Iunes o exonerou, até porque havia nomeado vários outros familiares, entre os quais a própria esposa, Amanda Balancieri Nunes, secretária de Assistência Social e Cidadania.

No entanto, depois de exonerar Eduardo, o prefeito o investiu no cargo de presidente da Junta Interventora da Santa Casa, com salário de R$ 17.644,00 e justificando a nomeação com a "inquestionável capacidade técnica" para a função. Em novembro, entretanto, uma ação do Ministério Público Estadual — a de nº 0900188-36.2020.8.12.0008) — enquadrou Eduardo, o prefeito e outras pessoas em infrações das leis de nepotismo e improbidade administrativa.

A juíza Luíza Vieira Sá de Figueiredo determinou o imediato afastamento de Eduardo da Junta Interventora. Ele foi substituído pelo assessor especial Adriano Antônio Pires.Um dos outros envolvidos e também afastado por ordem judicial é Eduardo Alencar Batista, cunhado da primeira-dama Amanda Iunes. Ele tinha cargo comissionado no hospital.

CO-PREFEITO

Fachada da Assomasul em Campo Grande Fachada da Assomasul em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz | MS Notícias 

No dia 29 de janeiro passado, aconteceu na sede da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul) a eleição para a diretoria da entidade. Era chapa única e entre os votos que confirmaram a eleição da diretoria liderada por Valdir Couto de Souza Jr (PSDB), prefeito de Nioaque, havia um sufragado por mãos intrusas nos rituais exclusivos da Associação e de seus 79 prefeitos associados.

Não se sabe como, nem porquê e até mesmo se a Assomasul inteirou-se do fato para tomar as providências pertinentes, mas esse voto "intruso" foi depositado na urna pelo Sr Márcio Iunes, irmão do prefeito tucano Marcelo Iunes, de Corumbá. A cena foi filmada e fotografada por uma das  pessoas que acompanhavam a eleição. Antes de votar, Márcio Iunes estava em animado diálogo com alguns prefeitos, entre os quais o presidente eleito, Valdir Couto Jr. Logo depois, e com naturalidade, foi até aos locais de votação para preenche a cédula e depositá-la na urna.

A pessoa que registrou as imagens contou o que havia ocorrido ao prefeito de Jateí, Eraldo Leite (PSDB), ex-presidente da Assomasul. E perguntou se qualquer pessoa, mesmo não sendo chefe de Executivo, poderia votar. Leite, em princípio, disse que ninguém tinha visto e isso não afetaria nada. Porém, ao ser informado que a infração havia sido registrada pelas câmeras de um celular, o jateiense disse que verificaria os fatos e solicitaria as providências pertinentes.

Márcio Aguillar Iunes foi um dos alvos da Operação Offset, deflagrada no ano passado pela Polícia Federal para apurar denúncias do Ministério Público sobre desvio de recursos em contratos da prefeitura de Corumbá com fornecedores. O irmão do prefeito Marcelo Iunes era alto funcionário da assessoria do governo estadual,com salário de R$ 10.413,43, conforme o Portal da Transparência. No início de 2020, ele foi acusado de agredir um dos assessores da deputada federal Bia Cavassa (PSDB), no estádio Arthur Marinho, onde assistiam ao jogo entre Corumbaense e Maracaju pelo Campeonato Estadual.