31 de outubro de 2020
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Encontro de produtores rurais é tumultuado por estudantes da UFMS

Produtores rurais de diversas regiões do Estado se reuniram hoje na Praça do Rádio, em Campo Grande, para discutirem estratégias de como resolver conflitos por terra com o índios. Cerca de 70 produtores rurais estavam presentes e em determinado momento, aproximadamente 30 estudantes da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), do curso de Ciências Sociais, conforme apurado,  mascarados, segurando cartazes surgiram para manifestar em prol do povo indígena. os estudantes afirmam participar do Movimento Nacional de Retomada do Brasil.

O encontro foi organizado com o nome de “Grito dos Produtores” por Pedro Pedrossian Filho, que teve sua propriedade invadida duas vezes, em 2005 e 2009, e de acordo com ele está aprisionado em uma de suas propriedades. Segundo Pedro, após a invasão de sua fazenda, que possui 1000 hectares, a produção despencou. “Antes, eu produzia de quatro a cinco cabeças de gado por hectare, hoje eu produzo apenas uma”. Pedro comenta que atualmente os índios querem 27% do território nacional. “Essa porcentagem equivale a 40 Holandas para 400 mil índios”.

João Carlos Amaral, presidente da associação de produtores de Miranda – distante 203 quilômetros de Campo Grande – conta que teve sua propriedade ocupada há três anos e perdeu todo seu imóvel de 620 hectares em abril de 2011. João produzia pastagem para venda, e após a ocupação, sua perda é de R$ 14 mil ao mês. Hoje, o presidente possui um mercado e sobrevive desse comércio.

Outro produtor presente é o proprietário da Fazenda Esperança, ocupada no ano passado, localizada em Aquidauana – distante 143 quilômetros da Capital - Nilton Carvalho da Silva Filho. Nilton há 30 anos começou a investir na área, trabalhava com a pecuária e possuía 3.500 cabeças de gado. O proprietário, após a chegada dos índios, conseguiu transferir seus animais para outra propriedade, porém, sua renda também foi prejudicada. “Eu estou aqui reivindicando para que a Constituição seja cumprida”.

A produtora rural, Luana Ruiz Silva, é advogada de alguns produtores que tiveram suas terras ocupadas. Conforme explica, os produtores não aceitarão o confisco de suas propriedades, pois o acordo que a União que fazer é considerado “às cegas”. Não adiantaria a União indenizar o produtor se não há como pagá-lo. Cadê o dinheiro? Quem vai pagar? Vou receber o quê?, questiona a advogada. Luana critica também a maneira como os índios chegam às propriedades. “Não podem cidadãos brasileiros indígenas invadir propriedades fazendo uma pseudo-justiça com as próprias mãos”.

O manifesto dos alunos da UFMS não intimidou os presentes. O índio Abrão Mitelo, subiu no palco e fez uma crítica aos estudantes, que, passaram a criticar o índio que antes defendiam e começaram a gritar para Abrão chamando-o de “índio comprado”. Abrão falou que os “mascarados” não o representavam, pois eles não têm a "qualidade", como ele frisou, para falar, pois não conhecem a verdadeira realidade e as necessidades pelas quais os povos indígenas passam. “Me envergonha ter pessoas como vocês dizendo que me representam”.

Em meio aos gritos dos estudantes, que embora criticassem o capitalismo vestiam roupas calçados de marcas famosas americanas, palavras como “assassinos”, “ladrão”, “o índio morre onde o gado come”, foram direcionados aos produtores. Nenhum dos manifestantes, que tinham seu rosto coberto, quis falar com a imprensa para comentar o motivo de sua presença no local.

O jornalista do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Ruy Sposati foi apontado pelos produtores, por incentivar a manifestação contra o “Grito dos Produtores”. Ruy teve seu equipamento apreendido em maio de 2013 pelo delegado da PF (Polícia Federal), Alcídio de Souza Araújo, em Sidrolândia – distante 70 quilômetros de Campo Grande, no momento em que cobria a ação da desocupação da fazenda Buriti.

Tayná Biazus