26 de setembro de 2020
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SAÚDE

Na Capital, 22 bairros estão em alerta contra infestação do mosquito da dengue

Mutirão de combate a proliferação do Aedes aegypti começou na segunda-feira e continuará nos próximos dias

Começou o mutirão de agentes de saúde para combater o mosquito da dengue, zika e chikungunya. Ao menos 22 bairros de Campo Grande foram classificados em situação de alerta, de acordo com o Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti), da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais.

Sessenta e oito áreas são divididas de acordo com a unidade de saúde mais próximo. O IIP (Índice de Infestação Predial) tem como classificação acima de menos de 1% (satisfatório), de 1% a 3,9% (alerta) e acima de 3,9% (risco). Na média, Campo Grande tem 0,9% considerado satisfatório. O levantamento ocorreu de 4 a 8 de novembro.

Os bairros em situação de alerta são aqueles atendidos por UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) e UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Azaléia, Seminário, São Benedito, São Francisco, 26 de Agosto, Mata do Jacinto, Noroeste, Tiradentes, Carlota, Itamaracá, Universitário, Iraci Coelho, Cohab, Alves Pereira, Nova Esperança, Aero Rancho, Aero Rancho IV, Dona Neta, Caiçara, Coophavila II, Portal Caiobá e Zé Pereira.

Os mais de 170 agentes da CCEV (Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais) começaram na segunda-feira (23) e vão seguir nos dias 26, 27 e 30 de dezembro, 2 e 3 de janeiro a operação contra o mosquito transmissor. As primeiras ações serão executadas no Jardim Noroeste, Mata do Jacinto, Lar do Trabalhador, Silvia Regina, Centro, Los Angeles e Alves Pereira.

A unidade de saúde 26 de Agosto, localizada na Rui Barbosa, Bairro São Francisco, foi quem apresentou o maior índice, 3,6%. A cuidadora de idosos Maria Elisabete Klitel, de 73 anos, conta que mora na Coophavila, mas trabalha de segunda a sábado no São Francisco, onde “praticamente mora”.


Ela diz que pegou dengue nos dois últimos anos. Não sei onde foi infectada, porém como esta sempre na região central, acredita que tenha sido lá. “Cuido do quintal, não tem água parada, mas mesmo assim não consigo acabar com os mosquitos”, diz. A idosa conta ainda que até apela para repelente caseiro, formado com álcool e cravo, para passar nas pernas e braços. “Faço de tudo, mas não consigo acabar”, completa.

O aposentado João Fernandes dos Santos, de 76 anos, conta que já pegou dengue quando morava em um prédio na Rua 14 de Julho. Depois que mudou para o São Francisco, há sete anos, ele e a mulher nunca mais tiveram. “Cuido do meu quintal, não deixo sujeira. Em muitos casos as pessoas que são culpadas, jogam lixo e não cuidam”, reclama.

Anésia Tamashiro, de 70 anos, conta que mora sozinha e nunca foi infectada pelo mosquito. Ela conta que no quarteirão onde mora não há terrenos baldios, mas a presença de um prédio inacabado incomoda quem vive em volta. “Não sabemos como está lá dentro. Uma hora eu posso ser a vítima”.

Em Campo Grande foram 39.179 notificações ao longo do ano, sendo 16.547 confirmações de dengue, de acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Em dezembro foram somente 117 notificações, sem casos confirmados. O mês de maior índice da doença foi março, com 9.721 notificações e 8.529 confirmações.


Na Capital, também foram confirmados 18 casos de dengue grave, anteriormente chamada de dengue hemorrágica, e 8 mortes ao longo de 2019. Os óbitos ocorreram em janeiro (1), fevereiro (1), março (2) e abril (4).

Em relação aos casos de zika vírus, Campo Grande registrou 438 notificações, com maior índice em fevereiro (119). Já as notificações de chikungunya neste ano chegaram a 243. Janeiro teve o maior índice com 69 casos.