19 de maio de 2024
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NACIONAL

Lula e Bolsonaro voltam a duelar, dessa vez nas Casas Legislativas

A 4ª.feira (1º.fev) será um dia chave para o atual governo

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O presidente Lula (PT), saiu vitorioso no 2º turno das eleições gerais do Brasil em 30 de outubro de 2022. Naquela oportunidade, o então presidente Jair Bolsonaro (PL), se recolheu por meses na residência oficial, pois não queria reconhecer sua derrota. O político de extrema direita, já como ex-presidente, atiçou radicais para deslegitimar o resultado eleitoral e temendo ser responsabilizado, embarcou numa viagem de férias para Orlando, Flórida (EUA) em 30 de dezembro, onde está alojado desde então. De lá, Bolsonaro deu sinais golpistas, que resultaram no ataque às sedes dos 3 poderes em Brasília (DF), gerando o famigerado 8 de janeiro

Nos grupos de radicais de extrema direita, Bolsonaro segue enviando conteúdos como se fosse chefe de estado. A máquina da mentira bolsonarista segue ativa, e o ex-presidente acredita com sanha de que sairá impune de todos os diversos tipos de crimes pelos quais nadou de braçada — o principal deles: atacar sistematicamente a democracia brasileira.  

Nos grupos de mensagem de radicais, os bolsonaristas dizem que o ídolo "tem um plano" de ainda subverter o resultado das urnas. A ordem é: "Acreditar e vigiar!". A narrativa extremista ganhou propulsão ontem (29.jan), quando Bolsonaro enviou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de surpresa a um jantar de apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN), que disputa a presidência do Senado. Por chamada de vídeo dos EUA, Bolsonaro teria demonstrado apoio a seu ex-ministro do Desenvolvimento Regional para o cargo de chefia do Senado Federal. Uma vitória de Marinho, para os extremistas, seria um caminho para melar o governo Lula e evitar uma candidatura de esquerda no futuro.  

Do outro lado da mesa do Executivo Federal, Lula apoia a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para presidente do Senado e Arthur Lira (PP-AL), para a presidência da Câmara dos Deputados. Ao menos 11 ministros de Lula devem voltar ao cargo de parlamentar somente para ocasião de votação — cinco votam no Senado, outros 6, na Câmara.  

Dentro do Congresso, as eleições de amanhã viram também moeda de troca e combustível para rivalidades. Senadores, alguns ligados a Pacheco, ameaçam votar em Marinho, pelo menos num 1º turno, em protesto contra o acordo do mineiro de manter à frente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (UB-AP). Mesmo com essa movimentação, a conta do governo é que Pacheco terá entre 51 e 55 votos, garantindo a reeleição em uma votação só. 

A 4ª.feira (1º.fev) será um dia chave para o atual governo. É quando assumem suas cadeiras todos os 513 deputados e 27 senadores, todos parlamentares federais eleitos e reeleitos em outubro do ano passado. 

Na sequência à posse, eles escolhem os presidentes das duas Casas Legislativas. Dependendo de quem ganhar no Senado, o governo Lula pode sair imobilizado

QUEM ESTÁ NA  DISPUTA?

Para o Senado estão na disputa Marinho, Pacheco e senador bolsonarista Eduardo Girão (Podemos-CE).

Conquista a vitória o candidato que obter pelo menos 41 votos favoráveis. Se ninguém atingir esse número, a votação vai para o 2º turno.

No Senado, o PT tem 9 votos e PDT tem 3 votos, que somam 12 congressistas. Esses já confirmaram estar do lado de Pacheco. Também devem votar em Pacheco congressistsas de siglas aliadas de Lula: MDB tem 10 votos, PSB tem 2 votos, Rede tem 1 votos e Cidadania tem 1 voto. Com isso, os aliados do candidato à reeleição somam entre 50 e 55 votos, o que lhe daria a vitória no 1º turno. 

Marinho recolhe 13 votos que vem do PL, 6 votos que vem do PP e alcança congressistas do Republicanos, que tem 4 votos. Os três juntos concentram 23 votos. Praticamente todos os 6 membros do PP declararam voto em Marinho e estão trabalhando para eleger o ex-ministro bolsonarista. O cacique do PP, também ex-ministro, Ciro Nogueira (PI), afirmou no sábado (28.jan) que a vitória de Marinho "está encaminhada". As apostas de Ciro contam com traições de parlamentares que devem vir das seguintes siglas: União Brasil (tem 10 votos), Podemos (tem 5 votos) e PSDB (tem 3 votos). No Senado é possível "trair" aliados, pois a votação é secreta.  

Na Câmara, a reeleição de Arthur Lira é dada como certa. O deputado concorrente até o momento é Chico Alencar (RJ), que tem o apoio isolado do PSol e é o único a se opor ao alagoano. Nesse cenário, deputado alagoano vence com folga, obtendo mais do que os 257 necessários, levando no 1º turno.