21 de outubro de 2021
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Ronan nega promessas de cargos na Prefeitura e revela visita de 'comitiva de Bernal à testemunha'

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Em depoimento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Ronan Edson Feitosa de Lima, ex-assessor do prefeito afastado Gilmar Olarte, disse aos promotores de Justiça que o dinheiro obtido com troca de cheques foi usado para pagar cabos eleitorais que trabalharam com Olarte em 2012 durante campanha, quando Alcides Bernal (PP) se elegeu prefeito, tendo Olarte como vice.

Ronan conta que após vitória de Bernal e Olarte, o grupo de pessoas ligadas a ele que trabalhou na campanha passou a cobrá-lo diante das promessas feitas anteriormente. “Quando começamos a campanha, trouxemos nosso grupo. Infelizmente, as promessas que foram feitas para gente não foram cumpridas e as pessoas vieram atrás de mim, e eu corri atrás para não deixar peteca cair, mas teve um momento em que peteca caiu”, disse Ronan.

O ex-assessor de Olarte conta ainda que foi pressionado e que constantemente pessoas iam atrás dele na Prefeitura de Campo Grande na época em que ele trabalhava no gabinete do vice-prefeito. Nesse momento, Ronan admite que efetuou pagamento a cabos eleitorais sem nenhum recibo. “As pessoas iam chegando e eu ia pagando”.

Questionado pelos promotores quanto às garantias oferecidas aos agiotas para obter dinheiro, Ronan explicou que, com exceção de Salem Pereira Vieira, todos agiotas que emprestaram dinheiro a ele o conheciam. “Quando estava trabalhando todos sabiam que teria condições de pagar, conhecia eles, só o Salem que não era próximo a mim, Eu inclusive estranhei quando vi no Fantástico ele dizendo que eu devia a ele R$ 280 mil, quando na verdade emprestei apenas R$ 7 mil.”

Ronan também afirmou que nunca entregou dinheiro obtido com troca de cheques ao prefeito afastado Gilmar Olarte e disse que o valor de R$ 30 mil que ele repassou a Olarte em uma agência da Caixa Econômica Federal, episódio que foi relatado por Salem, em depoimento, é referente a uma doação feita pelo empresário Ito Melo Andrade para igreja Adna do Brasil da qual Olarte é fundador e na época atuava como pastor. Segundo Feitosa, a doação foi feita para custear gastos com a "Festa da Das Nações". Ele disse que não tinha conhecimento que Salem estava presente na agência no ato da entrega do dinheiro.

O réu ainda relatou que devido à pressão, resolveu, em setembro de 2013, sair de Campo Grande, pois estava sendo ameaçado, mas não citou nomes dos responsáveis pelas ameaças. Ele citou ocasião em que agiotas chegaram na casa dele e disseram 'ou você acerta hoje ou você vai morrer'. Questionado se registrou algum boletim de ocorrência diante da ameaça, Ronan disse que não, mas que registrou B;O contra Salem, posteriormente, pois o agiota teria pego como pagamento uma motocicleta, que não pertencia a Ronan.

Porém, mesmo fora da cidade, Feitosa admite que continuou recebendo salário da Prefeitura de Campo Grande pelo cargo em comissão para qual foi nomeado. Segundo Ronan, ele foi exonerado apenas março de 2014, mês da cassação do prefeito Alcides Bernal (PP). Ainda de acordo com ex-assessor de Olarte, ele recebeu ajuda financeira, no valor de R$ 6 mil, de um amigo, mas não mencionou nome, quando estava em Araçatuba (SP).

Promessas e acusações

Durante depoimento, Ronan Feitosa foi categórico ao dizer que nunca ofereceu cargos na Prefeitura em troca dos empréstimos e que não usou o nome do vice-prefeito Gilmar Olarte como "garantia". Ronan, durante depoimento, fez acusações contra Paulo Sérgio Telles, que atualmente é funcionário comissionado da Prefeitura de Campo Grande. Telles foi quem fez denúncia contra Ronan, Olarte e Márico Feliciano, no Ministério Público Estadual. 

De acordo com Feitosa, há cinco dias, Marly Débora entrou em contato com ele, por telefone, para dizer que o vereador Cazuza (PP), queria marcar uma conversa com ele [Ronan]. "Ela [Marly] me disse também que uma comitiva do Bernal foi na casa dela. Eu acho estranho o pessoal do atual prefeito ir na casa dela, e estranho também esse tal de Paulo Telles ter me denunciado e hoje ele ser funcionário da Prefeitura".