08 de maro de 2021
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Vereadores alertam para que centro pediátrico não se torne ‘tragédia da boate Kiss’

Após anúncio de reestruturação do Cempe (Centro Pediátrico Municipal) na área de assistência e pediatria nos próximos meses, correndo o risco de ser fechado por irregularidades estruturais, os vereadores ‘engrossaram o coro’ durante sessão na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (13) em relação à situação do centro, que pode prejudicar a população que necessita do atendimento neste setor da saúde. 

Para o vereador Eduardo Cury (PTdoB) ‘O Centro Pediátrico não pode oferecer risco as crianças, familiares, funcionários e os médicos precisam ter condições adequadas de atendimento e não era isso que estava acontecendo. Quando ocorriam situações emergenciais na época que eu era médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), íamos buscar crianças que se estivessem no UPA teriam um atendimento mais qualificado. Fiz uma analogia ao caso da tragédia na Boate Kiss no Rio Grande do Sul, e ela tem que ser levada em consideração. Na boate não tinha alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros, não havia uma saída de emergência e aqui também não temos, ou seja, por que vamos esperar um curto circuito, uma tragédia acontecer para tomar providências? Esse é o papel que temos que ter, antes de mais nada sou a favor de Campo Grande e da população, ou seja, essa situação precisa ser resolvida rapidamente’, destacou o vereador.

Já o vereador Chiquinho Telles, afirmou que se houver esse fechamento não há a garantia de que terão pediatras nas unidades de saúde 24 horas. 'Sou completamente contra o fechamento do Centro Municipal Pediátrico. Se tivesse pediatra nos postos 24 horas tudo bem, mas nunca tem. Nem mesmo antes da abertura do CEMPE. Então, agora pelo menos a população tem a garantia de que vai encontrar médico no centro da cidade', disse. 

O vereador Betinho também se pronunciou a favor de que se tenha pediatras nas unidades de saúde 24 horas dos bairros. 'Precisamos de mais médicos e não fechar o que já está funcionando, mas não podemos negligenciar os problemas estruturais do local. Se ele for fechado, que se abra outro local então, devidamente estruturado e com os alvarás. O atendimento pediátrico é maior apelo da população quando vamos aos bairros', completou o vereador. 

O centro foi inaugurado em outubro de 2014 pelo prefeito afastado Gilmar Olarte (PP), mas não foi aprovado pelos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, deixando assim de receber recursos para sua manutenção. A prefeitura alega que os gastos giram em torno de R$ 3,5 milhões por mês.